01/03/2016 16:19:00
Oscar 2016: Após polêmicas, Academia tenta agradar, mas acaba escorregando


Foto: Reuters/Mario Anzuoni


A maior e mais importante festa do cinema mundial aconteceu no último domingo (28) no tradicional Dolby Theater, em Los Angeles. Como não poderia deixar de ser, a premiação contou com muitos momentos emocionantes, surpresas e uma boa dose de polêmica.

A maior polêmica, na realidade, aconteceu bem antes das primeiras estrelas de Hollywood pisarem no tapete vermelho. Pelo segundo ano seguido nenhum negro foi indicado aos prêmios, o que causou uma grande revolta na comunidade negra americana.

Para contornar a situação, a Academia utilizou o humorista negro Chris Rock para ser o apresentador da atração. Com bastante bom humor, Chris Rock não fugiu da polêmica e discursou sobre o tema em seu monólogo inicial e em vários outros momentos durante a apresentação, ora arrancando risos de alguns participantes, ora sorrisos amarelos. Com frases como “Nem tudo é sexismo. Nem tudo é racismo” atacou desde o politicamente correto até a sociedade racista americana, como quando comentou sobre o fato de Hollywood ser ou não ser racista.  “Hollywood é racista? Hollywood é a fraternidade do racismo. A gente gosta de você Shonda (criadora de alguma das séries mais assistidas dos EUA), mas você não é Kappa", brincou, se referindo ao nome de uma das principais fraternidades das universidades americanas.

Além de Chris Rock, várias outras celebridades negras subiram ao palco do Academy Awards em uma tentativa dos organizadores de trazer diversidade a esta edição do evento, que ficou conhecida nas redes sociais pela hashtag #OscarSoWhite. O principal prêmio da noite, por exemplo, foi entregue por Morgan Freeman. Pharrel Williams e Quincy Jones premiaram a melhor trilha original. Kevin Hart também subiu ao palco e fez piada com a situação. Já o astro de Creed, e que para muitos deveria estar concorrendo a melhor ator, Michael B. Jordan, também subiu ao palco apresentar um dos prêmios.

A própria distribuição dos prêmios mostrou como a Academia buscou agradar a todos também. Mad Max foi quem levou mais prêmios, porém, as seis estatuetas foram todas conquistadas nos chamados prêmios técnicos. A Garota Dinamarquesa levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pela atuação de Alicia Vikander, já Mark Rylance levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por seu trabalho em Ponte dos Espiões.

Favorito, O Regresso levou três estatuetas, entre elas a de melhor diretor para Alejandro Iñarritu e o esperado Oscar de melhor ator para Leonardo DiCaprio, o que certamente alegrou e muito a enorme legião de fãs do galã que há tempos perseguia tal conquista. O longa, contudo, não levou o troféu de melhor filme que ficou com Spotlight: Segredos Revelados.

Quem não saiu muito feliz da cerimônia foi Sylvester Stallone, que teve sua primeira chance de concorrer ao Oscar com o papel de Rocky Balboa no filme Creed, mas foi derrotado por Mark Rylance de Ponte dos Espiões. Assim como DiCaprio, Stallone contava com uma grande torcida que esperava que o consagrado ator pudesse conseguir seu primeiro Oscar aos 69 anos.

Outra grande torcida que não saiu satisfeita da premiação foram os fãs de Lady Gaga, que viram a cantora e favorita candidata ao prêmio perder a estatueta mesmo com uma fenomenal apresentação. O Oscar de melhor canção original ficou com Sam Smith e a canção “Writing's on the Wall” do filme 007 contra Spectre. 

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