02/03/2017 10:24:00

REFLEXÕES
Apenas uma fantasia triste



(i)

O raciocínio leniente vigente das truncadas mentes iluminadas do STF não deixa muitas margens para dúvidas de que o crime no Brasil compensa, sim senhor, e procurar ser honesto não passaria dum preconceito ideológico pequeno burguês.

(ii)

O carnaval é uma festa tão triste e deprimente que necessita de baterias ensurdecedoras, abusos etílicos e fantasias espalhafatosas para tentar negar a patente e indisfarçável tristeza. Aliás, como tudo o mais em nosso malfadado país.

(iii)

Uma sociedade que não cultiva o hábito da leitura emporcalha-se e, ao final, acaba idolatrando o rebolado duma bunda desnuda afirmando, soberbamente, que isso deve ser respeitado porque faz parte da diversidade cultural dum povo.

(vi)

Para muitos cidadãos comuns, que insistem em ganhar o pão de cada dia com o suor do seu rosto, bandido bom seria bandido morto; já para outros, menos exaltados, bandido bom seria bandido preso.

Já para o STF e muitíssimos juristas isso tudo seria truculência pura e simples duma mentalidade retrograda e blábláblá porque, para esses doutos, ao que tudo indica, bandido bom mesmo é bandido indenizado e solto.

Pois é, se eles dizem isso da altura de seus diplomas tá tudo certo – certíssimo. E, enquanto isso, o dito cujo do cidadão comum agoniza silenciosamente em seu soturno cotidiano sem que uma única voz se levante para acudi-lo.

(vii)

Nosso Senhor disse que devemos ser como crianças para podermos ganhar o reino dos céus, não para sermos infantis. Não confundamos inocência com egocentrismo perene.

(viii)

O fato duma pessoa discordar do que você pensa e do que você faz não significa que ela te odeia. É mais ou menos assim: amar não é bajular, tolerar não é aprovar e divergir não é discurso de ódio. Simples assim. Tão simples e sutil que somente um idiota progressista e politicamente correto é incapaz de entender essa patente obviedade.

(ix)

Todas as nossas jornadas, principalmente as mais árduas, devem ser trilhadas por um caminho suave. Entendamos isso e, inevitavelmente, cresceremos em espírito e verdade.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.