02/09/2017 16:13:00

REFLEXÕES
Iniquidades nada originais
Professor, cronista e bebedor de café



(i)

Um homem somente poderá encontrar a plenitude de sua natureza, de sua maturidade, quando ele se tornar pai e passar a viver como tal. O mesmo também é válido para as mulheres com relação à maternidade.

Nós, homens e mulheres, nascemos para isso. Mas é claro, é claro que as modernosas almas, afundadas num materialismo vil e num hedonismo rasteiro, dirão que isso seria coisa do passado e que a nova onda é curtir a vida adoidado. Sei disso. Já estou sabendo.

De fato, essa possivelmente seja toda a maturidade possível aos olhos da desvairada atualidade que imagina realizar plenamente sua humanidade na procura de ser apenas algo para si sem jamais, ou muito raramente, ser alguém para o outro.

(ii)

É incrível como a grande mídia, em particular, e a sociedade, dum modo geral, valorizam demasiadamente os ditos sacerdotes pop stars e os padres animadores de show de auditório que, sem a menor cerimônia e numa hecatombe de vaidade, enxovalham a tradição e escarnecem com o santo sacrifício eucarístico por meio de suas modernices e improvisações.

Agrade-nos ou não, infelizmente na atualidade cada vez mais a Igreja brasileira tem se afastado da tradição que a tantos santificou para abraçar-se alegremente com a espetacularização que foi e que é para muitos causa de perdição.

A impressão que se tem é que, hoje em dia, esqueceu-se que São João XXIII, em sua encíclica SACERDOTII NOSTRI PRIMORDIA, havia apresentado como modelo de sacerdócio São João Maria Vianney e não Fábio Júnior ou um paquito.

Bem, seja como for, ao que tudo indica, hoje em dia tornou-se preferível ser uma imitação fajuta de uma figura disforme presente no show business para bajular multidões, sem jamais preocupar-se realmente em convertê-las; prefere-se muito mais agradar ao mundo adaptando-se a ele, para ser aceito por aqueles que, dissimula ou abertamente, odeiam Cristo, do que realmente amar a Deus e testemunhar o seu amor perante tudo e todos.

(iii)

E de repente a sociedade está abrindo os seus olhos para a doutrinação que está entranhada no sistema educacional brasileiro. E eis que muitos cidadãos estão arregalando as vistas para ver com clareza os males advindos da mentalidade censora que orienta muitíssimos intelectuais brasileiros que, cinicamente, insistem em chamar de “pluralidade de ideias” justamente o seu contrário. Enfim, eis que inúmeras pessoas estão abrindo o zóio para tentar entender a desvirtuação da educação que se consolidou nas últimas décadas em nosso país.

Pois é. Isso é muitíssimo bom, porém, sou franco em dizer que espero que a sociedade também se lembre, com o mesmo interesse, que se houve essa degradação do ensino em nosso país, muito se deve ao fato de muitíssimas famílias brasileiras terem feito tal qual Pilatos e lavado suas mãos e abdicaram da responsabilidade de educar os seus filhos, de oferecerem a eles os rudimentos elementares duma educação doméstica. Impostura essa inspirada, diga-se de passagem, direta e indiretamente, nas mesmas ideias materialistas e hedonistas que imperam em nosso sistema educacional.

Isso, isso, isso. Jogar tudo nas costas das instituições de ensino, mais especificamente nas paletas dos professores, onde, pela regra, encontram-se sutilmente desautorizados para corrigir pra poder ensinar, é muito cômodo. Como é.

E tem outra coisa. Também não podemos desdenhar o fato de que muitos educadores, cônscios ou não disso, são previamente instigados pelos gurus da educação e, principalmente, inspirados pelo patrono da dita cuja de nossa pátria, a doutrinar sorrateiramente as tenras gerações como se isso fosse sinônimo de emancipação. Aliás, para muitos, conforme a (de)formação recebida, doutrinação seria sinônimo de educação.

Enfim, tudo isso somado e devidamente misturado só podia dar nisso: na degradação da educação e na desestruturação de nossas famílias.

A solução para esse tremendo angu encaroçado, sou franco em dizer: eu não sei. Não saberia nem por onde começar. Porém, todo aquele que, de fato, preocupa-se com a sua formação e com a educação dos seus filhos e alunos, poderia começar repensando as influências que recebemos até então para reavaliá-las com a devida serenidade e seriedade.

Fazer isso, é claro, não irá mudar os rumos de nossa nação e do atual sistema de ensinação, mas, com toda certeza, fazendo-o estaremos trilhando um bom começo para corrigir as arestas de nossa própria (de)formação. E isso, meu caro, seria um belíssimo começo.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.