03/08/2017 13:09:00

RECONHECIMENTO
Capoeira sou eu!
A simbiose entre a luta, a dança e a arte no corpo de um capoeirista


Acrobacia num jogo de capoeira (Foto: Itamarati)


Da Redação

Guarapuava - "Quem vem lá sou eu, quem vem lá sou eu, berimbau mais eu, capoeira sou eu". A música de domínio público traduz a simbiose entre o capoeirista e o instrumento que para ele é sagrado, numa roda de capoeira - uma prática cultural de várias facetas e multidimensional. Ao mesmo tempo em que se mostra como luta, é também dança, folclore, esporte e arte. Mas, independente de qualquer classificação, a capoeira carrega uma filosofia ancestral, que remonta ao século XVII, período escravocrata e que, com o passar do tempo desenvolveu-se com um instrumento de sociabilidade e de resistência. A sua origem está nos africanos escravizados que viram nessa prática uma estratégia social contra o controle e a violência. Hoje, a capoeira é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em mais de 160 países.

Olhar uma roda de capoeira é perceber muito além. É ver o lúdico da brincadeira e lado da resistência, da reação contra o sistema opressor. Comandados pelo toque do berimbau e sob os olhos do mestre, o capoeirista joga com movimentos de muita destreza que podem ser sutis, vigorosos e acrobáticos. Uma roda de capoeira, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é um espaço profundamente ritualizado, que congrega cânticos e gestos que expressam uma visão de mundo, de hierarquia, que revelam companheirismo e solidariedade.

No Brasil, os capoeiristas surgiram em meio à escravidão negra no século XVII e em meio à repressão a resistência ainda impera. Mestres consagrados como os baianos Bimba e Pastinha –,  a situação de pobreza, a morte de muitos deles em quadro de indigência, é um marco nesse esporte genuinamente brasileiro, presente não só nas periferias, mas também atraindo jovens universitários.

“A capoeira era uma luta por libertação e hoje é um instrumento de educação, disse o monitor Sagui (foto acima), que difunde a capoeira há mais de 12 anos em Guarapuava. “Muito mais que jogar a capoeira, ensino aos meus alunos que o esporte é um envolvimento com a educação, saúde, disciplina, o qual consegue embutir em seus treinamentos, trazendo ao praticante, flexibilidade, agilidade, destreza nos golpes principalmente com os pés”.          

Implantada em Guarapuava em 1988, ano do centenário da abolição no Brasil, pelo mestre Zé Guanabara, a capoeira vem crescendo, se destacando e trazendo muitas medalhas para a cidade. “Aqui em Guarapuava tem muitos bons capoeiristas. Sou o primeiro a conquistar três títulos paranaenses, um título regional e um brasileiro. Assim como eu muitos podem chegar lá, é só treinar”, se orgulha Sagui, que será graduado mais uma vez após quatro anos como monitor, indo para corda de professor, faltando apenas uma para ser graduado como mestre.

 

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