04/09/2017 16:06:00

GRATIDÃO
Nilva, Juraci, Terezinha e Francisca. As fadas costureiras da Casa da Cultura
Fazer com o coração tem um significado tremendamente maior do que fazer por obrigação


(Imagens: Jonas Laskouski)


Personagens muito comuns nos contos de fada, as fadas-madrinhas são entidades mágicas que protegem e aparecem para atender aos desejos e interesses desses protegidos.

E foram essas personagens que eu enxerguei ganhando vida na última quinta feira, 31 de agosto. Elas são quatro senhoras e são responsáveis por linhas, agulhas, tecidos, tesouras e toda sorte de apetrechos na Sala de Costura da Casa da Cultura, em Guarapuava. São elas que dão forma às roupas do Coral dos Anjos, por exemplo, tendo papel fundamental na mágica do espetáculo. E olha que são mais de 3.000 peças. Os protegidos no caso, são os milhares de alunos da rede municipal de ensino de Guarapuava.

Mas nessa feita, em especial, o encanto foi proporcionado para uma grata turminha. Foi através do cuidado, do zelo, do capricho, do empenho e das mãos dessas fadas costureiras que os pequenos integrantes da fanfarra e as balizas da Escola Municipal Profª Elcídia de Santa Maria Pereira, no Jardim Maria das Dores, Vila Carli, vão desfilar no 7 de setembro com roupas próprias pela primeira vez, feitas especialmente para eles.

E quando eu digo ‘grata turminha’, é porque num rompante de reconhecimento, a direção da escola teve a brilhante ideia de fazer uma homenagem surpresa a quem tanto se esmerou na confecção dos trajes. Feitos os devidos contatos, na tarde da última quinta a fanfarrinha e as balizas vestiram suas novas roupas, aprontaram os instrumentos e bastões, de ônibus se dirigiram até a Casa da Cultura, e tipo, ‘no sapatinho’, se posicionaram na frente do prédio e de repente: tatararatatá! O repique das caixas, o toque dos tambores, a batida do prato chamaram a atenção das funcionárias do Departamento de Cultura que saíram para fora ver quem estava ali ensaiando para o desfile cívico.

Mas como você já sabe não era um ensaio. Lá estavam os pequenos e pequenas, tocando, marchando e fazendo coreografias numa justa e emocionante homenagem às quatro fadas da Cultura – Nilva Rostirolla, Juraci Aparecida Stelle, Terezinha Ineida Pedroso e Maria Francisca Ramos. E todos numa beca impressionante! A fanfarra elegante e ostentando no chapéu, o ‘E’ de Elcídia acompanhado até de uma pluma. Nas balizas, a leveza do tule e o borbado na barra das saias. Tudo pensado com carinho pelas funcionárias, com pitacos e dicas também da responsável pelas fantasias do Departamento, Sandra Nassif.

E então, a ficha caiu. As crianças estavam ali para elas. Tocando para elas. Mostrando como os trajes haviam ficado perfeitos. Agradecendo o carinho, o trabalho e o tempo dedicado.

“Não tenho palavras. É maravilhoso”, disse Nilva (foto acima) com um nó na garganta – apesar de não gostar de falar muito. Já Juraci (abaixo) estava visivelmente emocionada, estática, observando com os olhos úmidos d’água. “Ah, a gente fica emocionada porque as crianças também se dedicaram para ensaiar”, contou ela.

A mais animada era a Terezinha (abaixo), que com um sorrisão disse que “é graticante saber que o trabalho da gente está sendo valorizado.

Por fim, apesar de séria (mas é só a cara, rs), dona Maria Francisca (abaixo) também muito feliz e emocionada. “Eles valorizaram aquilo que eles receberam e isso tem um valor imenso. A gente faz com o coração e recebe com o coração”.

E é isso mesmo. Fazer com o coração tem um significado tremendamente maior do que fazer por obrigação. É por isso que existem fadas. Seja nos contos ou na vida real. Ou você duvida que elas existam?

P.S.: eu gravei um vídeo da homenagem, mas a batida forte e compassada da fanfarra acabou abafando minha voz. Por isso, para quem esperou pelo vídeo, perdão. Brotaram palavras mesmo e ainda em tempo, ;) Ah, e parabéns, crianças e direção da Elcídia, pela nobre atitude. Gratidão, hoje em dia, é para poucos.

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Sobre o Autor

Jonas Laskouski é repórter da RedeSul de Notícias e tem uma visão muito particular sobre o mundo que o rodeia. Neste espaço, o guarapuavano pretende compartilhar sua visão desse mundo cada vez mais imprevisível e que nos surpreende, de maneira positiva e negativa, todos os dias.