04/11/2017 16:17:00

FOBIA
Número de assassinatos de homossexuais no PR aponta recorde em 2017
Parada LGBTI acontece em Curitiba neste domingo (05) e deve reunir mais de 40 mil pessoas


(Foto: Reprodução)


Da Redação, com Paraná Portal e BandNews Curitiba

Curitiba - Em 2017, até este momento, 20 homossexuais foram assassinados no Paraná – um recorde, segundo levantamento do site Homofobia Mata, do Grupo Gay da Bahia. Até então, o ano com mais ocorrências registradas era 2012 (18 assassinatos). No ano passado, foram 15.

O Estado aparece em quinto lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo (42), Minas Gerais (39), Bahia (29) e Pernambuco (21). Ao todo, nos últimos seis anos, foram 87 ocorrências só no Paraná. Na última quinta (02), uma travesti de 22 anos foi encontrada morta em uma vala próxima ao cemitério de Missal, no Oeste do Paraná. 

Em Guarapuava, não há registros de mortes por este motivo. 

No Brasil, em 2016, form 343 registros, média de um assassinato a cada 25 horas. Neste ano, já foram registrados 344 casos – um a cada 21 horas.

Para o coordenador-geral da Associação Paranaense da Parada da Diversidade (Appad), Marcio Marins, o número de assassinatos podem ser maior. “Acreditamos que, nesses dados, ainda haja uma subnotificação, um sub-registro, porque têm pais e familiares que não denunciam o ato de assassinato de seus filhos e filhas, há travestis e transexuais que estão fora de suas cidades, são sepultadas como indigentes. Acreditamos que este número seja muito maior”.

Crimes homofóbicos ainda não são tipificados em lei, o que também dificulta o registro das ocorrências. O GGB faz seus levantamentos com base em notícias publicadas em todo o Brasil.

Em 2016, apenas 17% dos 343 homicídios tiveram o assassino identificado e em apenas 10% das ocorrências houve processo e punição. Entre os principais responsáveis pelas mortes estão companheiros (27%), ex-amantes (7%) e parentes (13%). Clientes, profissionais do sexo e desconhecidos em sexo casual foram responsáveis por 47,5% dos crimes.

COMBATE À VIOLÊNCIA

“Aqui, nunca foi muito fácil. Já estivemos no topo dessa lista da vergonha. Hoje, estamos entre os Estados que mais matam LGBTs, principalmente travestis e transexuais. Mas o Paraná já teve números maiores até do que São Paulo, que tem quase 40 milhões de habitantes”, lamenta.

Marins destaca que os números revelam a omissão da sociedade sobre o assunto. Por isso, o tema da Parada da Diversidade LBGTI neste domingo (06), destaca a necessidade do envolvimento da sociedade. “Uma pessoa heterossexual, que tem sua vida ‘normal’, finge que não vê um ato de violência, discriminação, assassinato, ela é conivente, ela está autorizando, legitimando aquele ato de violência. Então, ‘O que eu tenho a ver com isso?’ é o chamado para a Parada LGBTI”.

A parada da Diversidade LGBTI de Curitiba acontece neste domingo, com concentração a partir das 12h na Praça 19 de Dezembro, com abertura oficial às 13h30 e caminhada, pela Avenida Cândido de Abreu, até a Praça Nossa Senhora de Salete. A programação com apresentações culturais segue até às 20h.

O movimento defende os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex. Esta é a 18ª edição, que tem uma novidade: o lançamento do hino da Parada, “Amar Não é Pecado”, com a cantora Noemi Carvalho. A música será apresentada na Praça 19 de Dezembro, às 13h30.

São esperadas cerca de 40 mil pessoas na Parada deste ano.

PROGRAMAÇÃO

12h - Início da concentração, na Praça 19 de Dezembro (Rua Barão do Cerro Azul entre as Ruas São Francisco e Inácio Lustosa)
13h30 - Abertura Oficial, na Praça 19 de dezembro
14h - Saída da Parada pela Avenida Cândido de Abreu em direção à Praça Nossa Senhora da Salete
17h - Apresentações culturais, na Praça Nossa Senhora da Salete
20h - Encerramento das atividades, na Praça Nossa Senhora da Salete

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