05/07/2017 14:08:00

CINEMA ALTERNATIVO
Em julho, CineUnicentro vai falar sobre a imigração japonesa no Brasil
Projeto vem crescendo e se destacando como uma forma de olhar a arte cinematográfica sobre outra ótica


A saga dos imigrantes japoneses é retratada em Gaijin (Imagem: Reprodução)


Da Redação, com Douglas Kuspiosz

Guarapuava - O projeto CineUnicentro, que oferece gratuitamente à comunidade guarapuavana sessões de cinema às quintas-feiras, a partir das 19h30, e no último sábado de cada mês, às 14h, segue a todo vapor em 2017! Para julho, mês de férias, a programação dará destaque ao cinema nacional, com os filmes Gaijin - Caminhos para a Liberdade (1980) e Gaijin - Ama-me Como Sou (2005, cena abaixo), ambos da diretora Tizuka Yamazaki.

Com o projeto, a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) tem estreitado ainda mais as relações com a comunidade de Guarapuava, mostrando alternativas ao cinema comercial que geralmente ocupa a maior parte da atenção do público. Segundo o diretor do campus Santa Cruz da Unicentro, Ademir Fanfa Ribas, o CineUnicentro é uma forma de olhar a arte cinematográfica sobre outra ótica.

“Aqui nós não vamos passar Batman versus Superman, porque já têm outros locais onde as pessoas podem assistir. O projeto mostra uma nova perspectiva sobre o cinema, com filmes que causam reflexão”, explicou.

GAIJIN          

O primeiro filme, Gaijin - Caminhos para a Liberdade foi a primeira obra de ficção a abordar a temática da imigração japonesa no Brasil. Ele foi lançado no início da década de 1980, e traz a cineasta brasileira Tizuka Yamazaki, que é filha de japoneses, como diretora. O longa fala principalmente sobre as dificuldades que esses imigrantes encontraram no Brasil na primeira metade do século 20, desde o choque cultural até as desilusões com o contexto social encontrado.

O professor da Unicentro Eduardo Yuji Yamamoto, que é neto de imigrantes japoneses, explica que o filme teve grande apelo com a colônia no Brasil, e que toda família japonesa conhece o significado da palavra “Gaijin”, que dá nome aos filmes e significa algo como “estrangeiro”.

“Vejo o primeiro filme como a história dos meus avós e bisavós, e o segundo como a história da minha geração e da geração dos meus pais. Quando assisto a esses filmes, sinto-me como um fragmento ou uma descontinuidade histórica, pois tenho parentes que fizeram o caminho de volta, ou seja, foram trabalhar no Japão e agora querem ficar lá para sempre”, conta Eduardo, que irá debater o primeiro filme na noite desta quinta (06).

DIREÇÃO

Tizuka Yamazaki tem grande experiência em produção na TV e no cinema nacional. Eduardo pontua que embora ela tenha tido contato com o movimento Cinema Novo, no Brasil, não dá necessariamente uma abordagem social aos filmes, sendo muito mais um registro que dialoga com o realismo da imigração.

“Vejo duas obras biográficas que contam a história da família de Tizuka Yamazaki, mas que é também a história de muitos nipo-brasileiros. Como disse, reconheço toda a dramaticidade das sequências montadas por ela porque nasci e fui criado no interior desses conflitos culturais e toda trama familiar que tem lugar a partir disso”, explica Eduardo.

SERVIÇO

Gaijin - Caminhos para a Liberdade e Gaijin - Ama-me Como Sou serão exibidos, respectivamente, nos dias 6 e 13 de julho. O primeiro filme será debatido pelo professor Eduardo Yuji Yamamoto, e o segundo pelo professor Carlos Alberto Machado.

O projeto CineUnicentro exibe filme todas as quintas feiras a partir das 19h30 no cinema do campus Santa Cruz da Unicentro (rua Salvatore Renna, 875). No último sábado de cada mês, há a matinê com um filme direcionado ao público infantil. A entrada é gratuita e todos os presentes recebem certificação.

Outras informações através da página do projeto no Facebook.

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