05/10/2017 18:01:00

OPINIÃO
Palmas para o MAM!
Críticas? Se construtivas, as aceito. Se maldosas e equivocadas, as deleto


(Imagem: Ilustrativa)


Há poucos dias, no começo da semana, li um texto sobre a polêmica envolvendo a exposição no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. Aquela do homem nu, e resolvi compartilhar o artigo. Pouco tempo depois tive que retirá-lo porque o exto está protegido por direitos autorias, embora tenha citado a fonte e o artigo está amplamente reproduzido nas redes sociais.

Abordo o assunto novamente porque recebi críticas, querendo fazer um comparativo entre matéria postada na RSN sobre dois casos de estupro, e a minha opinião sobre a exposição. 

Quero dizer que respeito a opinião contrária à exposição de arte, mas mantenho a minha opinião pessoal sobre a iniciativa do MAM. Continuo dizendo que imoralidade pra mim é noticiar crianças e outros incapazes, inclusive por limitações mentais, serem estupradas, diariamente, perante uma sociedade inerte, um Estado apático. Vergonha pra mim é a morte de milhões de crianças por fome, vítimas da miséria social e humana que recheia o nosso país. Imoralidade pra mim é ler notícias diárias sobre pedofilia, prostituição infantil, assassinatos de tiros por balas trocadas na guerra fria das drogas. Imoralidade pra mim é ver como a maior parte da sociedade, a julgar pela polêmica sobre o MAM, se mantém retrógrada, em pleno Século XXI, criminalizando a nudez; colocando um rótulo de falsa moral, quando deveria educar as crianças, sem preconceito, sem maldade, para que se tornem pessoas um pouco melhores, num mundo mais civilizado, mais real.

Não consigo imaginar um ato obsceno numa criança que mexe nos dedos de um corpo nu, sem qualquer maldade, numa exposição de arte aberta, sem restrições, mas com aviso alertando sobre a temática. Não consigo entender porque um toque inocente patrocina tanta sujeira, exposta por mentes fechadas, arcaicas, que sejam frutos de uma educação ultra conservadora, que apesar de tantos avanços ainda se mantém enferrujadas. Coitados, tendo a crer que a culpa não seja deles e os respeito por isso. Se essas pessoas querem educar seus filhos fechados numa redoma onde tocar o corpo nu é pecado, e por isso, tem que ser condenado, o problema é de cada um.

O que não aceito é que, por falta de conhecimento, por interesses políticos-religiosos, e outros motivos afins, me impeçam de expor a minha opinião num espaço assinado. Críticas? Se construtivas, as aceito. Se maldosas e equivocadas, as deleto.

Retomando: o corpo humano é a máquina mais preciosa e mais precisa que existe na natureza. O sexo, em sua conjunção carnal, é divino. Afinal, não é por meio dele que se gera a vida? Que se pratica em nome do amor? A natureza se procria em todas as suas vertentes, nos dando lições diárias, de que a pureza, a espiritualidade, a arte, que nutre a alma, o amor, é o que faz a diferença.

Palmas para o MAM! Vivas para a liberdade de expressão, seja qual for a manifestação da arte!

Sobre o Autor

Cristina Esteche é jornalista, publicitária e fundadora da Rede Sul de Notícias.