06/07/2016 14:51:00
Obrigado Islândia e até breve



Islândia, a terra do gelo e fogo.

Não, não estamos falando de um local criado da cabeça de George R. R Martin para suas crônicas de mesmo nome, mas sim de um país de verdade com muito a oferecer.

Se você acompanha um pouco do futebol mundial, vai conhecer a Islândia graças a bela campanha de sua seleção na Eurocopa de 2016, quando foi a sensação do torneio chegando as quartas de final.

Se você é um pouco mais antenado com o mundo musical deve saber que a Islândia é o lar de importantes músicos e bandas como: Bjork, Of Monster and Man e Emiliana Torrini (se você for nerd, irá conhecer esta do Senhor dos Anéis).

Agora, se você prefere mais filmes e séries provavelmente já deve ter visto algumas paisagens islandesas que serviram de locações para muitas obras como: Game of Thrones, Vikings, Sense 8, The Secret Life of Walter Mitty.

Mas vamos nos concentrar e voltar no futebol, que é a especialidade deste espaço e o motivo que me levou a escrever este post, afinal o que a Islândia fez na Euro merece ser comentado, não é mesmo?

Convenhamos que vencer a Inglaterra, mesmo que esta não esteja mais tão assustadora quanto antes, e passar em um grupo com seleções com larga experiência como Hungria (2x vice-campeã mundial, 3x medalha de ouro nas Olimpíadas) e Portugal não é uma tarefa muito fácil. Agora, fazer isso com um país sem nenhuma tradição, estreante na competição europeia e que conta com um universo de apenas cem jogadores profissionais possíveis de serem selecionados, ah isso é um baita feito.

Para se ter uma ideia, a Islândia hoje tem cerca de 300 mil habitantes, um pouco mais do que a cidade de Guarapuava, hoje com mais de 170 mil pessoas. Se por aqui, em um local que se vive e respira futebol, é possível contar nos dedos os atletas que saíram daqui para se tornar profissionais, muito mais difícil é encontrar, em um país com tão poucos habitantes e sem tradição no futebol,  atletas capazes de disputar em igualdade técnica com os melhores jogadores e seleções do mundo.

Outra comparação interessante é a de que a Islândia hoje possui mais vulcões do que jogadores profissionais. Ao todo são 126 vulcões catalogados no país, o que a torna a terra do fogo, enquanto cerca de cem atletas compõe a base de jogadores profissionais islandeses. Justamente para visitar tais vulcões e as grandes geleiras e auroras boreais (daí a história da terra do gelo) cerca de 500 mil pessoas visitam a Islândia por ano.

O número de visitantes, que já é mais do que o da população do país, é infinitamente maior do que a média de público no campeonato islandês e nos jogos da seleção. Contudo, se analisarmos em perspectiva veremos que a presença do público também é algo grandioso na Islândia.

Estima-se que quase 40 mil pessoas (12% da população) tenha viajado para a França ver de perto sua seleção. Os que ficaram também fizeram sua parte: doaram ingressos e passagens para a torcida organizada, além de acompanharem tudo pela TV, com uma incrível audiência de 99,8% das televisões ligadas.

Estes torcedores, aliás, foram os autores de imagens incríveis durante a Euro, tanto dentro do estádio com sua comemoração Viking, quanto fora dele sendo considerados uma das torcidas mais animadas e carismáticas da competição.

https://www.youtube.com/watch?v=84aSPow7xOA

Tudo isso fez com que a Islândia rapidamente ganhasse a torcida de milhões ao redor do mundo, afinal, com todas suas dificuldades o país demonstra que nem sempre os mais famosos, os mais ricos e mais estruturados vencem. Ainda há espaço para surpresas no futebol, a Islândia e o Leicester são exemplos recentes disso, exemplos que hegemonias e gigantes podem ser derrotados, exemplos de que o futebol de qualidade ainda vive fora dos CT’s dos grandes clubes e em países fora do mapa da bola.

Hoje, após dois dias sem partida, a Euro volta com a disputa das semifinais. Infelizmente também sem a presença da Islândia, que perdeu sua vaga para a anfitriã França, mas que se despediu levando uma mensagem importante ao futebol.

Órfãos torcedores da Islândia, hoje terão de escolher entre Portugal, País de Gales, França ou Alemanha como seus times na Euro, mas não esquecerão dos vikings da terra do gelo e do fogo.

Obrigado Islândia e até breve, se não em uma Copa do Mundo ou em uma nova Eurocopa, quem sabe em uma visita a seu belo país.

 

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Sobre o Blog

Luiz Carlos Knuppel Júnior, formado em Jornalismo pela Universidade Estadual do Centro Oeste. Trabalhou como jornalista e cronista esportivo para o site esportivo Redação em Campo e na RedeSul de Notícias. É apaixonado por esportes, cinema e música.