07/01/2016 16:07:00
Requalificar a crítica, nossa eterna tarefa.

Escrevo minha primeira coluna neste novo ano. Espero continuar colaborando com o debate público. Continuo bem intencionado, apesar de continuar insatisfeito com o que vejo por aí. Tive muitos retornos de leitores em minha caixa eletrônica e redes sociais. Recebi críticas ácidas como esta: ‘[acadêmicos devem ficar escondidos no seu autístico mundinho hermético, pois vivem numa galáxia muito distante da práxis e de nada compreendem nosso mundo real]’, mas também o  reconhecimento do contraponto racional desta forma: ‘[ seus textos são necessários, mesmo que não haja concordância imediata]’. Felizmente recebo mais luz positiva que seu contrário e,  aberto às críticas, venho buscando a possibilidade do melhoramento da esfera pública, lançando-me a novos desafios. Assim, estou empenhado em juntar palavras para continuar dizendo às pessoas propositivas quais os problemas que temos condições de resolver, de onde eles vêm, onde se escondem, buscando um justo esclarecimento, pois se há algo que não é claro, seu nome é política.

Acredito que a sociedade caminha em uma direção melhor que em anos anteriores, mas continuo achando que ela precisa de um empurrão. Imunizado do pessimismo, apesar das evidências, penso que não podemos nos curvar  diante do poder pelo poder. Daí a necessidade de continuar usando as palavras.

Embora a maioria de vocês leitores não acreditem que governos possam fazer algo diferente do que fazem e que, estéreis e dotados de um populismo perverso, continuam deteriorando a ordem pública, urge que possamos continuar ativos para pautá-los ou amenizar o impacto de seus erros, esforçando-nos para transformar palavras em carne. O momento exige solução rápida, sob pena de cairmos nas mãos nem sempre justas do Judiciário ou de oportunistas de plantão.

Esta disposição para continuar participando do debate político não inibe a consciência que tenho que dificilmente haverá transformação real enquanto continuarmos aceitando decisões já decididas em gabinetes fechados. Mesmo sabendo que as perspectivas não são boas e que daqui para frente todo e qualquer governo terá que adotar medidas impopulares, é importante estarmos atentos para o contínuo processo de requalificação da crítica construtiva.  Isto não apaga o veredicto de que há reivindicações [vinda de parte da sociedade] impossíveis de serem atendidas a curto e médio prazo e que aqui as coisas estão bem melhores que em outras cidades.

Neste período de descanso fiz a necessária autocrítica, ouvi pessoas e amadureci ideias sobre o horizonte político, seja na esfera nacional e local. A sensação que tenho é que existem muitos espaços vagos deixados pelos que ocupam o poder. É fato que hoje os governos continuam presos entre polos de difícil reconciliação em um ambiente em que os interesses do mercado se sobrepõem aos interesses comuns, restando-nos a saída em fomentar respostas locais. Nas cidades as coisas acontecem e tem potencialidade para acontecer mais. Daí a importância do ano eleitoral. Não duvido da tese dos que compreendem que se consertarmos as cidades, podemos consertar parte do mundo. É assim que precisamos estimular as pessoas a exigirem dos protagonistas da política local um novo paradigma de organização social, mesclando o social ao econômico e vice-versa. Enquanto os partidos tradicionais continuam centrando fogo no ‘discurso’ da retomada de crescimento e manutenção da inclusão social, precisamos exigir simultaneamente o social sustentável com uma nova matriz produtiva, preferencialmente com práticas sustentáveis e com pessoas honestas. É por isso que decidi gastar energia com pessoas da organização‘rede sustentabilidade’. 

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