07/07/2017 17:56:00

REFLEXÕES
Eu acho que vi um gatinho...



(i)

Os mais aptos sobrevivem. Num mundo idiota qualquer pessoa sensata estará lascada se não se idiotizar para não acabar entrando em extinção.

(ii)

Como pode uma pessoa inteligente ser Católica? Como não ser Católico sendo inteligente? Como não deixar de sê-lo sendo presunçoso e ignorante?

(iii)

A impunidade da corriola parasitária do Estado Brazuca está garantida pela camarilha dos malabarismos mil feitos com a letra morta da lei.

(iv)

Há certas coisas que, confesso, eu não entendo e que pretendo continuar não entendendo numa vã tentativa de manter um mínimo de sanidade.

(v)

Temer mostrou a que veio quando desistiu de extinguir o MinC. Goste-se ou não, ele está lá pra salvar o que dá do projeto de poder rubro.

(vi)

A sociedade não quer saber da dita cuja da verdade. Ela é dura demais e possivelmente nos deixaria em frangalhos. Por isso os cidadãos, dum modo geral, preferem a segurança do engano. Mesmo que ele seja uma baita furada, as pessoas preferem ele ao invés da verdade porque a tal da segurança ofertada pela mentira não nos obriga a termos de sair da nossa perene infame infância moral. Já a verdade...

(vii)

Numa tragicomédia como a brasileira, sentir-se isolado é condição sine qua non para manter a sanidade mental e não perder a dignidade moral.

(viii)

Brasileiro não sabe votar. Eu não sei votar. Mas também, como é possível aprender a fazer isso num ambiente que necessita dessa deseducação?

(ix)

Não gosto de falar mal do Brasil. Me contento em vê-lo como ele é. Isso já me deixa suficientemente vexado diante do tribunal da História.

(x)

Brasileiro ama de opinar. Sobre o que? Qualquer coisa. Pouco importa a pauta que esteja à mesa de despacho para o nada na repartição do boteco da esquina. O importante é que se tenha algo a dizer, mesmo que este algo na diga em suas linhas ou entre elas. E não há perigo de parecermos bocós não. Posar-se-ia de bocó se numa destas rodas sapientes, de alto ou baixo grau etílico, se tiver a ousadia de falar de algo com propriedade. Aí sim fica-se com cara de taxo, porque o saber causa espanto nas tribos nativas. Se isso ocorrer, cuidado! Você poderá ser consumido pelos antropofágicos olhares que tudo devoram por medo de serem desnudados em seu despudorado desamor ao conhecer. 

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.