07/10/2015 15:45:00

Desejo continuar navegando de olhos bem abertos

Não está fácil pensar o momento político.  No meu caso, tento comparar experiências com outras experiências, ler o que se publica,  analisar discursos, projetar soluções,  ouvir avaliações de pessoas mais experimentadas e considerar meus marcos referenciais.  Estou obstinado em ir atrás do nervo profundo. Estou quase lá. Não quero me descuidar e me transformar em um radical ou exagerado. Persigo o ponderado. Desejo continuar navegando de olhos bem abertos.

Uma das saídas que vislumbro é uma reconfiguração do político para ter de volta a política, até porque imaginava morrer sem me deparar com a confissão  objetiva do atual governo e do próprio PT que fracassaram. Sinceramente gostaria de não ter lido ou ouvido a explicação e justificativa do suposto fracasso.

Evidente que antes de absorver o discurso da derrota, da entrega dos dedos e dos anéis ao PMDB e àqueles que vampiros do Congresso, me perguntei: que armadilha esconde esta confissão ?  O que estaria por detrás desta nova fase do regime discursivo do reconhecimento da derrota ?

 Na verdade, estamos tão sensíveis a qualquer coisa que vem da política que exercitamos mesmo sem querer a famosa dúvida hiperbólica, ou seja, a desconfiança da própria desconfiança.

E  agora qual é o plano B para retomar  um certo caminho que já percorremos ? Me parece que a saída é de fato, uma reconfiguração.  Lembrando o que costuma dizer minha colega Eva Schran ‘o  desafio continua na abertura de brechas que viabilize espaços democráticos de mobilização do comum e conquista de novos direitos’. Penso que é só assim que podemos buscar alternativas razoáveis para o bem viver.

Então, embora reconheça que todos estamos em estado  ressaca quando se trata de política e eleições, passo a crer que uma sociedade sem política  é muito pior que uma sociedade com política, pois será nela que poderemos cavar projetos políticos alternativos. Então, precisamos urgentemente de mais política e menos políticos. Em sociedades mais democráticas, sociedades em que há mais política, sempre haverá lugar para aqueles que ainda não perderam o cheiro do berço de uma nova vida. 

Como bem frisou Safatle no café filosófico nossa ação é determinada pelo que percebemos, sentimos e não sentimos. É nisto que reside uma ponta de esperança. Ainda temos capacidade de perceber novas coisas, sentir coisas essenciais e não sentir coisas que nos corroem enquanto coletividade, enquanto pessoa. Mesmo que o momento político atual seja farto  de paralisia em sua prática, podemos encontrar um bom motivo para teorizar sobre uma nova prática, um novo fazer,um novo participar. Temos então uma nova tarefa, buscar a imunidade e reinventar novos medicamentos para uma sociedade que precisa acreditar que dá para fazer desta crise política uma catarse, ou seja, uma  expulsão  do que é estranho à essência ou à natureza de um ser e que, por isso, o corrompe.

 

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