08/03/2017 15:00:00

MOBILIZAÇÃO
Mulheres serão as mais prejudicadas pela reforma, diz produtora
Cerca de 300 pequenos produtores rurais protestam em Guarapuava contra a reforma da Previdência


(Foto: RSN)


Cristina Esteche

Guarapuava - Cerca de 450 trabalhadores rurais de vários municípios da região de Guarapuava, principalmente mulheres, estão participando de atos públicos contra a reforma da Previdência e contra a violência. A concentração começou às 9h na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), com uma formação sobre a proposta de reforma previdenciária. Em seguida, até às 13h30, há panfletagem em vários pontos da cidade e um ato público em frente a agência da Previdência Social. Às 16h, haverá um pronunciamento na manifestação que acontecerá na Praça 9 de Dezembro. Além de sem terra, participam faxinalenses e representantes do Movimento de Pequenos Agricultores, o MPA, de Guarapuava, Pinhão, Goioxim, Candói e Cantagalo. “Estamos em dois ônibus de Pinhão”, diz Simone Pinheiro, 26 anos. Segundo a agricultora, que é do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), a mobilização está acontecendo em vários municípios brasileiros e luta para impedir a reforma da Previdência.

Logo no início da tarde, às 13h30, os manifestantes postaram-se em frente a agência da Previdência, saindo em cortejo da Praça 9 de Dezembro, onde realizam ato público até às 16h. De acordo com Simone, as mulheres estão entre os segmentos mais afetadas pela proposta do Governo Federal.

Argumentando que as mulheres, em média, tem expectativa de vida com sete anos a mais do que o homem, a padronização da idade mínima para a aposentadoria é o carro-chefe do projeto. Ou seja, as mulheres, que trabalham em empregos urbanos, levarão mais cinco anos para se aposentarem. Se a hoje a idade mínima é de 60 anos, passa para 65 anos, igualando-se à idade exigida para o homem; se forem servidoras públicas ou trabalhadoras rurais, trabalharão mais dez anos; e se forem professoras da educação básica, trabalharão mais quinze anos

A proposta do Governo Temer se contrapõe ao projeto que orientou, no período da redemocratização no Brasil, a diferenciação da idade mínima de aposentadoria para mulheres e homens. Nesse processo, levou-se em consideração a realidade de que mulheres são submetidas a muito mais horas de trabalho doméstico do que os homens. “Nós temos tripla jornada de trabalho”, diz a sem terra Reneide Ribeiro, à RedeSul de Notícias. “Acordamos na madrugada, fazemos café, mandamos os filhos para a escola, ajeitamos a casa, tiramos o leita das vacas, vamos para a lavoura e ainda trabalhamos fora”.

Em 2014, levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostrou que 88% das mulheres com mais de 16 anos realizam trabalhos domésticos, enquanto que, em relação aos homens, a estatística é de 46%. O estudo apontou também que mais do que o dobro dos homens, as mulheres trabalham sem remuneração. Esses dados foram medidos pela jornada semanal média onde as mulheres passam 20,6 hora lavando, passando, cozinhando, cuidando de filhos. Já os homens, gastam 9,8 horas em média executando as mesmas tarefas. O estudo mostra ainda que somando a jornada de trabalho remunerada com o tempo não pago entre as mulheres o total é de 56,4 horas por semana. Esse mesmo cálculo em relação ao público masculino resulta em cerca de cinco horas a menos.

Para agravar ainda mais a situação e legitimar as manifestações contrárias à atual proposta, a discriminação salarial se acentua, uma vez que a renda das mulheres é de 65%  menor da dos homens.

A manifestação dos sem terra contra essas mudanças segue até às 16h e será incorporada à mobilização “Nenhum direito a menos”, que acontece na Praça 9 de Dezembro.

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