10/09/2017 13:30:00

TRADIÇÃO
Cavalgada com a Chama Crioula dá início à Semana Farroupilha em Guarapuava
Parque do Lago sedia apresentações culturais gaúchas, neste domingo (10)


Cavalgada em anos anteriores (Foto: Arquivo/RSN)


Da Redação

Guarapuava – Uma cavalgada neste domingo (10), recebe a Chama Crioula, símbolo da união indissolúvel do Rio Grande à Pátria Mãe, e do desejo de que fogo aqueça o coração de todos os gaúchos e brasileiros. O evento faz parte das comemorações da Semana Farroupilha e do Dia do Gaúcho, 20 de setembro.

De acordo com a gaúcha Marilise Michelini, em 2017 a Chama Crioula foi acesa na cidade de Mostardas (RS) e de lá todas as regiões tradicionalistas receberam um centelha. “Nós aqui em Guarapuava receberemos a chama de Tapejara (7ª RT/RS)”.

Segundo a tradicionalista Daniela Zorzetti, a cavalgada começará no Parque de Rodeio do CTG Fogo de Chão, às margens da PR 170, perímetro urbano de Guarapuava, e seguirá até o Parque do Lago, no Centro da cidade. Nesse local, a partir das 13h30, será dado início às apresentações artísticas e culturais. “A Chama Crioula deverá chegar por volta das 15h30 e permanecerá acesa durante a Semana Farroupilha”. Depois haverá um ritual e o fogo será apagado.

A Chama Crioula, acesa pela primeira vez no dia 07 de setembro de 1947, conforme Daniela Zorzetti, representa a história, a tradição, a alma da sociedade gaúcha, construída ao longo de pouco mais de três séculos. Em torno dela foi construído um ambiente de reverência ao passado, de culto aos feitos e fatos que orgulham os gaúchos.

Como um símbolo que une o Rio Grande do Sul, ela estará presente em todos os galpões, todos os acampamentos, todas as manifestações de amor à tradição, ardendo no candeeiro, sempre carregada a cavalo por homens e mulheres que sabem o que fazem e o que querem.

CHAMA CRIOULA

A Chama Crioula foi acesa a primeira em 1947, dando início ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Até o ano 2000, cada CTG acendia a sua própria chama, mas em 2001 o MTG transformou esse ritual num evento, distribuindo a centelha em todo o país.

A chama, porém, tem cunho político. No final dos anos 40, do século XX, o Brasil estava saindo da ditadura da chamada “Era Getúlio Vargas”, que havia calado a imprensa, que prejudicava o desenvolvimento e prática das culturas regionais. Com isso, perdeu-se o sentimento de culto à regionalidade. As raízes regionais estavam em processo de esquecimento, adormecidas, como reflexo da proibição de demonstrações de valores de cada um dos Estados. Bandeiras e hinos dos Estados foram, simbolicamente, queimados em cerimônia no Rio de Janeiro e, diante de tudo isso, os gaúchos estavam acomodados àquela situação, apáticos e sem iniciativa.

O INÍCIO

Liderados pelo jovem João Carlos D’Avila Paixão Cortes, estudantes do Colégio Júlio de Castilhos, criam um departamento de tradições gaúchas, que tinha a finalidade de preservar as tradições e o campeirismo do Estado, mas também desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura rio-grandense, interligando-se e valorizando-a no contexto da cultura brasileira. Dentro deste espírito é que surge a criação da Ronda Crioula, que foi no dia 07, com a extinção da pira da pátria, até o dia 20 de setembro, as datas mais significativas para os gaúchos. Paixão solicitou a Liga de Defesa Nacional para fazer a retirada de uma centelha do "Fogo Simbólico da Pátria" para transformá-la em "Chama Crioula", como símbolo da união indissolúvel do Rio Grande à Pátria Mãe, e do desejo de que a mesma aquecesse o coração de todos os gaúchos e brasileiros, até o dia 20 de setembro, data magna estadual.

Nessa oportunidade, Paixão recebeu o convite para montar uma guarda de honra ao general farrapo, David Canabarro, que seria transladado de Santana do Livramento para Porto Alegre. Então, Paixão reuniu um piquete de oito gaúchos bem pilchados e, no dia 5 de setembro de 1947, prestaram a homenagem a Canabarro. O piquete que transladou os restos mortais de Davi Canabarro ficou conhecido como o “Grupo dos Oito”, ou “Piquete da Tradição”. Era formado por Antonio João de Sá Siqueira, Fernando Machado Vieira, João Machado Vieira, Cilso Araújo Campos, Ciro Dias da Costa, Orlando Jorge Degrazzia, Cyro Dutra Ferreira e João Carlos Paixão Cortes, seu líder. (Informações encaminhadas por Daniela Zorzetti)

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