09/09/2017 17:11:00

SOCIEDADE
Grande Nelson
Pobre, negro, morador de rua


Luiz Felipe


Jonas Laskouski

Guarapuava - Na última quinta feira (07), Dia da Independência do Brasil, a morte cruel de um morador de rua, o 'Nerso', encontrado caído ao lado da quadra de esportes da Praça Juscelino Kubitschek, em frente à Unicentro, sensibilizou em especial um professor da universidade. Na verdade, a morte do senhor Nelson nos joga na cara uma verdade que muitos preferem não enxergar, mas que o Luiz Felipe - professor de História, Sociologia e Filosofia no curso pré-vestibular da Unicentro - soube expressar de maneira que nos coloca a pensar sobre. 

Não quero escrever muito, já que as palavras dele bastam. A foto também foi tirada por ele. "Grande Nelson", por Luiz Felipe.

Grande Nelson

Homem que é o retrato do quanto este país vai mal. Do quanto gente que não tem oportunidade na vida é criticada por quem sempre teve de tudo e muito. 

Homem que se fez amigo dos estudantes da Unicentro (daqueles que não olhavam com cara de nojo pra ele), que sempre pediu umas moedinhas para tomar sua cachacinha, como ele mesmo dizia.

Era pobre, negro, morador de rua. Foi covardemente assassinado a pedradas em frente à Unicentro. 

Há 4 dias, ironicamente, um debate sobre segurança foi feito. Ele, Nelson, entra para as estatísticas da Polícia Militar e Civil, entra para a pilha dos crimes não solucionados e que, salvo melhor juízo, não possuem uma previsão de esclarecimento. Os culpados? Soltos por aí. 

Já me imagino lendo os comentários: "Ah, mas se ele não bebesse tanto...". "Se aceitasse ajuda...". E por aí vai. 

A morte dele tem um impacto na sociedade? Não. Pois, para muitos, é só mais um cadáver estendido em uma banheira do IML e que vira notícia no dia seguinte. Tenha no seu descanso, Nelson, a paz que não teve nessa vida.

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