13/03/2017 17:47:00

REFLEXÕES
Entre pontes e mata-burros



(i)

Não queira, jamais, fiar os seus estudos no intento de ser entendido pelos ignorantes, principalmente por aqueles néscios que vivem da pose postiça de sabichão engajado.

Estude para conhecer a verdade e compreender a realidade. Se os estultos não compreenderem o que você faz e não entenderem o que você diz, não te apoquente não, porque não existe conhecimento da verdade quando esperamos candidamente que os sonsos nos compreendam.

Resumindo: não há procura pela verdade que não seja acompanhada pela incompreensão da manada presunçosamente [des]informada. Não mesmo.

(ii)

Deveríamos, penso eu, iniciar o nosso dia com a apresentação – para nós mesmos – duma intenção que deverá ser realizada o findar do dia. Proposito firmado, dia iniciado.

Quando chegar a hora crepuscular, com a mesma inclinação, deveríamos, pensou eu, realizar um exame de consciência e verificar em que medida realizamos o proposito firmado e, além dele, o que mais realizamos no anonimato silente de nosso cotidiano para, desse modo, constatar em que medida a agitação do dia a dia nos afetou e nos distanciou de nós mesmos.

(iii)

Uma pessoa que coloca sempre diante de seus olhos os seus desejos e quereres como se fossem um direito pétreo são geralmente almas incapazes de, no seu dia a dia, perguntarem-se quais seriam os seus deveres para com seus próximos e, muito menos, em que medida elas deveriam estar esforçando-se para realizá-los.

(iv)

Sempre quando um bocó diplomado e metido a sabidão diz que você tem ideias simplórias, que você pensa de maneira deveras simplista, não é porque você seja um tonto, não mesmo. Bem provavelmente ele diz isso porque o caipora está simplesmente bravinho porque você ousou discordar diametralmente dele e que, por isso mesmo, ele foi pego com as calças nas mãos e não sabe como respondê-lo dum modo realmente inteligente e apropriado sem perder a pose afetada de "sinhô dotô".

(v)

Toda essa galerinha que dá show na forma de manifestação de cidadanite exigindo respeito, tolerância e todinho sabor morango, confunde com grande frequência a tal da tolerância com um tipo de culto profano de todos os seus desejos e, o dito cujo do respeito, com uma espécie de veneração egolátrica.

(vi)

Quando alguém diz, como Simone de Beauvoir, que nada deve nos definir, nem nos sujeitar e que isso seria a própria substância da liberdade, sem querer querendo, essa criaturinha está confessando o quão profundo é o poço egolátrico que há em sua alminha.

Resumindo: a criaturinha acaba apresentando como cume da liberdade e, consequentemente, da maturidade humana, uma pose similar a de uma criança mimada que diz, batendo o pesinho, que ela não vai comer legumes porque ninguém vai definir o que ela irá comer e nem sujeitá-la a arrumar o seu quarto porque ela é uma pessoinha livre, independente, engajada e blábláblá. I

sso é triste. Sei disso. Mas é mais ou menos assim que a banda da cidadanite toca em nosso macambúzio país.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.