14/03/2016 14:06:00
Viralize ou morra.
Por Patrícia Siqueira



Não faz tanto tempo assim, tudo o que havia para se saber sobre o mundo parecia estar contido dentro de um conjunto de livros chamado Enciclopédia. Ali, enfileirados nas estantes com suas encadernações ostensivas e lombadas elegantes, divididos por ordem alfabética em verbetes sucintos, representavam o símbolo de uma era que se iniciou com Gutenberg e sua (im)prensa, lá por 1439, e durou até o surgimento de uma ferramenta que convulsionou a humanidade em todos os âmbitos possíveis e até nos inimagináveis - a internet.
 
Se antes o conhecimento era escasso e difícil de obter, natural que sua disseminação ocorresse de forma vertical, de cima para baixo. A ideia era acumular e manter o saber, que podia ser liberado conforme demanda específica - e remunerada!; e só caso não houvesse risco de que ninguém viesse a saber mais que o mestre. Com a massificação da internet, em meados dos anos 90, a lógica inverteu-se completamente. 
 
Há um termo para definir uma informação que se alastra nas redes: viralizar. Por analogia, entende-se que uma ideia se espalha como um vírus, atingindo um grande número de pessoas, ou seja, para sobreviver, uma ideia precisa se espalhar. 
 
Conhecimento retido é conhecimento perdido. Seguindo essa toada*, vemos surgir uma nova forma de nos relacionarmos com o mundo e com as pessoas, que é o saber mediado pela necessidade de compartilhar. Receitas, dicas, experiências, reflexões ou irrelevâncias, tanto faz: a validação da existência daquele dado só funciona com base no compartilhamento.
 
Códigos abertos, tutoriais, coletivos, oficinas, laboratórios - são todos a confirmação de que num mar turbulento com tanta informação e ruído, a onda perfeita só surge para quem aprendeu a surfar e não se importa em ensinar como se faz. 
 
[*toada: s.f. Ação ou efeito de toar. 
Sons imprecisos e sem definição; ruído.
O que se torna conhecido por ser muito repetitivo. 
Figurado. Rumor, notícia ou informação vaga; boato.]

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