14/07/2017 10:33:00

REFLEXÕES
Não finja de louco



(1)

Saber organizar o tempo inútil, aprender a aproveitar de modo criativo as nossas horas vadias é algo fundamental para nos aprimorarmos não apenas profissionalmente, mas também, e principalmente, para nos realizarmos humanamente.

Podemos até não concordar com isso, mas é fato que elas, as horas ociosas de nossos dias não são poucas e são todas preenchidas com alguma atividade que, na maioria dos casos, nada agrega nem em termos profissionais e muito menos em termos humanos.

Trocando por miúdos: diga-me o que comumente chamam de saber aproveitar a vida que eu te direi que tipo de gente compõe a nossa triste sociedade.

(2)

Quando cedemos a uma chantagem nós já estamos derrotados. A derrota pode até não ser oficial, mas já é uma realidade.

Por essas e outras que o sistema educacional brasileiro encontra-se no estado deprimente em que está, pois a muito esse se rendeu totalmente as chantagens mesquinhas e tacanhas feitas pela mentalidade politicamente correta que reduziu o ato de educar a um encucamento vil de cacoetes mentais em misto com a assimilação de reflexos condicionados por meio de palavras e atos de significado deformado ao velho estilo orwelliano.

Enfim, o sistema pode até rumar para um abismo ignaro, mas nada impede que um e outro indivíduo, por conta e risco, deem um basta nisso tudo e passem a nadar contra a maré tomando posse de sua própria educação, lutando para corrigir o rumo de sua formação.

Todavia, é bom lembrar que, para tanto, é imprescindível que se tenha uma boa dose de coragem moral e de destemor intelectual para não acabarmos, também, cedendo às chantagens politicamente corretíssimas que, por sua deixa, não são poucas nessa terra de desterrados.

(3)

O mundo está às avessas mesmo. Os entendidos não coram de vergonha quando, com toda aquela afetação de superioridade, afirmam que o ridículo é belo e que, o admirável, seria algo irremediavelmente grotesco. E muitos, por medo de parecerem tontos alienados, concordam com essas sandices por simplesmente estarem muito mais preocupados em parecerem cultos perante a opinião desses desvairados afetados do que em procurar esforçar-se para de fato sê-lo.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.