16/11/2015 14:14:00

Não vejo saída sem dor nessa história

É urgente recorrer a remédios extremos se quisermos prosseguir. Não tem como contemporizar.  Não dá mais. Ao manter a visão narcísica no que se refere à política e ao poder, não terá mais sentido continuar. Assim, endosso as palavras da Professora de Economia Leda Paulani: “Não vejo saída sem dor nessa história”. Deste modo sou obrigado a concordar com a máxima de Bauman  de que a política é local ( cada dia mais se transformando em poder ) , enquanto que  o poder ( cada vez mais poder )   é essencialmente mundial.

Para reverter este processo desagregador, devemos necessariamente fazer com que a política volte a pautar o poder e isto pode ser feito com uma nova lógica, em tudo.  No momento em que escrevo, a política não está sendo capaz de solucionar nenhum conflito justamente pela sobreposição de um comportamento narcisista daqueles que hoje ocupam um papel de destaque na cena nacional e mundial.

Embora o quadro seja assustador, tanto na política nacional quanto no poder mundial, continuo engrossando a fileira daqueles que acreditam em algo diferente. Prefiro Bauman que Margareth Tachter. Ele disse: ‘enquanto vivo, eu espero’. Ela disse: ‘não existe essa coisa de sociedade’.  

Em que pese minha inclinação humanista, hoje estou um pouco pessimista a tudo o que diz respeito em curto prazo em relação ao futuro da sociedade. Ainda. Quanto as  instituições políticas vigentes ( do jeito que estão ) não existe sequer uma em condição de proporcionar soluções de longo prazo. Daí a necessidade de virar jogo e radicalizar em algumas coisas. Ao ingressar no Rede Sustentabilidade assumi um posicionamento de que a única coisa em que acredito mesmo é uma forma de vida diferente que tornará o sistema político existente fora de uso ou démodé, em uma nova chave, em uma nova configuração. Do jeito que está, os governos vigentes (da esfera mundial à esfera municipal) estão incapazes de cumprirem seus compromissos.

Assim a saída parece ser a mudança da forma de pensar como um lento processo que deve brevemente derrotar adversários fortíssimos. 

Temos a nosso favor o trunfo da “potência do não” com a autonomia de  ‘preferir não-colaborar com aqueles que estão no poder’ e  ‘o optar  por não-realizar tarefas e deveres normais que normalmente fazemos’ e ‘não produzir  o que querem que produzimos’. Certamente existem muitas maneiras de travarmos o que nos inviabiliza.

Mesmo assim, não dá para desistir. Apesar da existência de um Estado Islâmico aterrorizador; apesar de uma Europa mais desumana que acolhedora; apesar de um populismo sul-americano demagógico e perverso; apesar de um Congresso Nacional suspeito e engessado; apesar de uma oposição nacional que impede o governo de tentar governar e apesar de um Governo Federal impotente precisamos encontrar condições para a manutenção de nosso instinto de conservação.

Se queremos guerra, teremos guerra. Se queremos paz, podemos adquiri-la. Se queremos manter o Brasil como está, só vai piorar. Se queremos um outro Brasil, podemos construí-lo. Tudo depende de nossa disposição para o diálogo. Não um diálogo impositor, mas sim um  diálogo diferente de monólogos em que o sujeito tenta superar o outro apenas para dominar.

 

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