17/03/2017 16:08:00

CINEMINHA
Em meio a polêmica, 'A Bela e a Fera' mal abre a porta do armário
Se o diretor do filme não tivesse avisado, muitos pensariam que LeFou, serviçal apaixonado pelo aristocrata Gaston, era apenas um bajulador


(Imagem: Divulgação)


Jonas Laskouski com Veja crítica de Felipe Moraes do Metrópoles

Guarapuava - Um cinema no Alabama retirou da programação. A Rússia estrilou e restringiu o filme, uma produção para toda a família, a espectadores de ao menos 16 anos. Singapura acusou desvio de “valores saudáveis”. A Malásia quis mutilar o longa. Mas, verdade seja dita, a entrada em cena, em A Bela e a Fera, do primeiro personagem oficialmente gay da Disney não justifica essa barulheira toda. Se LeFou (Josh Gad), hoje o principal assunto quando se fala do filme, não tivesse sua sexualidade propalada pelo diretor Bill Condon, ele não passaria, para boa parte dos espectadores, de um bajulador. O personagem parece menos um apaixonado do que um puxa-saco do patrão, o aristocrata bonitão Gaston (Luke Evans) - também o vilão da história por querer forçar a mocinha, Bela (Emma Watson), a se casar com ele.

Enfim... a produção já está em cartaz em Guarapuava, e o trailer você assiste na RedeSul TV e a crítica, logo abaixo:

O novo A Bela e a Fera chega aos cinemas em 2017, mas exibe o verniz de um filme lançado duas décadas atrás. Mais precisamente, em 1991, ano da animação que agora retorna em formato live-action, com atores. Se a estratégia da Disney é vender nostalgia requentada, prepare-se para uma sessão de saudosismo e autohomenagem.

A Bela (Emma Watson), de vestido amarelo, e a Fera (Dan Stevens), com a juba aparada, dançam ao som da regravação de “Beauty and the Beast”, agora com as vozes de Ariana Grande e John Legend.

O castelo assombrado revela os mesmos objetos tagarelas que já vimos no desenho dos anos 1990. Gaston (Luke Evans) segue rude e com jeito de machão, cuspindo arrogância e nutrindo obsessão por Bela. Cada personagem parece programado para que o público não exatamente crie uma conexão com o presente, mas reative gostosas memórias em torno do filme de 1991.

A ANIMAÇÃO EM 'CARNE E OSSO'

A Bela e a Fera cresce quando tenta reimaginar a história por meio dos novos números musicais. Emma Watson revela timbres capazes de sustentar o carisma das canções, enquanto o diretor Bill Condon (roteirista de Chicago e diretor de Dreamgirls) desbrava a atmosfera colorida de sonho e pesadelo.

Aquela promessa de que LeFou (Josh Gad), o ajudante de Gaston, teria contornos de um personagem gay se concretiza às escondidas e se abriga no conforto do alívio cômico. Entre um e outro flerte não correspondido pelo chefe, ele ganha até um desfecho satisfatório, mas perfeitamente adequado para o padrão Disney.

A Bela e a Fera versão 2017 entrega exatamente o que a Disney projeta como o desejado pelo público: uma releitura “em carne e osso” – boa parte do filme é puramente digital – e fiel à animação. Fica a sensação, porém, de um produto que prefere as facilidades da nostalgia aos riscos da fantasia.

 

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