21/08/2017 13:07:00

TEATRO
'Murro em Ponta de Faca', do diretor Paulo José, chega a Guarapuava nesta terça (22)
Projeto oferece ainda aula aberta com Beto Bruel, um dos principais e mais premiados iluminadores do teatro brasileiro, e debate com o professor de História, Ariel José Pires


(Foto: Divulgação)


Da Redação, com assessoria

Guarapuava - Depois de estrear com casa cheia em Piraquara e Ponta Grossa, a montagem do Espaço Cênico para o texto clássico de Augusto Boal, Murro em Ponta de Faca, chega nesta terça (22) de agosto, em Guarapuava. Outras oito cidades ainda receberão o projeto que circula pelo interior do Estado até 3 de setembro, passando ao todo por 11 cidades paranaenses.

Com direção de Paulo José (que por motivos de saúde não está acompanhando a turnê paranaense), a peça, que trata da ditadura militar brasileira, segue sua temporada no Auditório Francisco Contini, no campus Santa cruz da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), com início previsto às 19h30, seguida de um debate com o professor de História, Ariel José Pires. Antes, porém, às 16h acontece uma Aula Aberta de Iluminação com Beto Bruel (foto abaixo), um dos mais premiados iluminadores do teatro brasileiro.

No elenco estão também alguns dos principais nomes do teatro paranaense: Abílio Ramos, Gabriel Gorosito, Edson Bueno, Patrícia Saravy, Raquel Rizzo, além de Nena Inoue, criadora e diretora da companhia Espaço Cênico. 

Selecionado no primeiro edital da lei Estadual de Incentivo a Cultura/PROFICE, a turnê Murro em Ponta de Faca conta com o patrocínio da COPEL.

O MURRO

Murro em Ponta de Faca conta a trajetória de três casais de brasileiros exilados – burgueses, operários e intelectuais – e obrigados a conviver no mesmo espaço físico. E, a despeito das diferenças, descobrem-se ligados por um sentimento comum: não pertencem a lugar nenhum, vivem em um tempo suspenso. “Boal costumava manter certa distância em relação aos seus personagens, um olhar irônico. Mas, aqui, é como se ele se identificasse, tivesse uma afetividade por eles. É um texto sobre exilados escrito por alguém que também estava no exílio”, comenta Paulo José, sobre o conteúdo e diz que não foi preciso fazer nenhuma alteração no texto original, e afirma, “hoje ainda observamos, mundo afora, muitas pessoas sem Pátria, sem porto, sem identidade, claro que em outro contexto, mas nem por isso menos exiladas”; e conclui que o texto foi escrito como se a história ocorresse nos dias de hoje, em “linguagem coloquial e contemporânea”.

“Passados 50 anos do Golpe Militar, trazer a cena o contexto histórico da ditadura brasileira e latino americana, período fundamental para o entendimento dos rumos da Democracia do pais”, pontua Nena Inoue, idealizadora da montagem que também atua.   

A peça traz o exílio como temática, prática sempre presente na história da humanidade, que se por um lado é fruto da negação, da dominação, da intolerância e da exclusão, por outro, é a negação da negação, a resistência, a luta pela afirmação. Um trabalho que insiste que lembrar é resistir. “Hoje existe a prática da filosofia do perdão, do viver e deixar viver... eu afirmo que importante também é não esquecer, pois a perda de memória pode nos levar a repetir o erro”, diz o diretor, ressaltando a importância da montagem.

“Montei esta peça quando, após uma leitura dramática no Espaço Cênico, constatei que os jovens na plateia não sabiam sobre este período do Brasil. Afinal, é mais uma das coisas graves que passaram impunes no Brasil, que por isso continua réu na Corte Interamericana dos Direitos Humanos, por conta dos crimes cometidos na Ditadura e porque não levou a julgamento nenhum dos torturadores...acho que nunca levará, e assim a justiça não acontecerá. Então me sinto no dever de mostrar o que aconteceu”, completa Nena. 

Considerando a excelência dramatúrgica e atualidade da obra, a montagem busca estender a obra de Augusto Boal e apresenta não só a ditadura brasileira, mas também a latino-americana. “A intenção é valorizar a memória nacional e ressaltar um período recente da História do Brasil ignorado por muitos, além de insistir no reconhecimento de brasileiros que resistem”, observa a atriz. Selecionado único pelo Paraná no Prêmio Myriam Muniz 2010 de montagem, o espetáculo estreou não por acaso, dia 31 de março de 2011, no Festival de Curitiba, no Espaço Cênico, e realizou temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo, apresentando-se em diversas cidades do país com apoio de editais de circulação da Caixa Cultural, Funarte e Petrobras Cultural. 

A produção local está por conta de Rita Felchak.

SERVIÇO

O queMurro em Ponta de Faca (única apresentação)

Quando: 22 de agosto de 2017, às 19h30

Onde: Auditório da Unicentro, campus Santa Cruz

Entrada gratuita

Indicação: Não recomendado para menores de 14 anos

Pré-evento: Aula Aberta de Iluminação com Beto Bruel, às 16h

Pós-evento: Debate 'Exílios e Pertencimentos', às 21h

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