23/10/2017 12:27:00

REFLEXÕES
Comentários, ditos e chouriços
Professor, caipira, cronista e bebedor de café



(i)

NÃO CONHEÇO NENHUM CIDADÃO, que tenha na última eleição presidencial votado no senhor Aécio Neves para “presidento”, que não queira a sua prisão pelos seus malfeitos. Todos que conheço querem ver ele no xilindró. Doutra parte, desconheço a existência de cidadãos que, religiosamente, votaram em todas as eleições no partido da estrelinha maldita, que queira a prisão do senhor Luiz Inácio Lula da Silva e de seus blues cats. Possivelmente deve de existir um e outro, aqui e acolá, mas, até onde sei, se existirem, são raros. Raríssimos.

(ii)

QUANDO CLAMAMOS PELA PUNIÇÃO DE ALGUÉM por algum mal realizado, tal clamor deve ser feito não com o intento de obtermos a mera reparação para o nosso ego ferido. Proceder desse modo seria tão somente uma vingança vazia e rancorosa.

Por isso, toda punição, penso eu, deve ser realizada com o intento de possibilitar o arrependimento do transgressor e como sinal de advertência para todo o corpo social do quão grave é o mal cometido por ele. Nisso reside a manifestação de um grande gesto de misericórdia.

Agora, querer abolir ou abrandar as punições por dozinho do transgressor e por suma preocupação com a manutenção duma pífia pose de bom-moço, que é tão amada por muitos, seria uma atitude de tamanha falta de amor ao próximo que possivelmente iria escandalizar até mesmo os impudicos mais empedernidos. Aliás, escandaliza.

(iii)

UM TREM QUE A MUITO CHAMA MINHA ATENÇÃO é o quanto algumas pessoas, muitas pessoas mesmo, se deixam afligir por causa de questões e problemas que elas não têm, em alguns casos, meio algum para influir, e que não tem uma relação direta com elas, noutros tantos. Já os problemas e questões que, por sua deixa, tem uma relação direta com a sua existência, que elas teriam meios para poder equacioná-los duma forma razoável, são sumamente desdenhados. Tal desdém por essas questões em misto com a artificiosa atenção manifesta ao conjunto de problemas que foram indicados no início dessa escrevinhada, seriam, em resumo, o conjunto estruturante da mentalidade aflitiva daqueles que se proclamam detentores duma consciência crítica, que se consideram sumamente habilitados a dar pitacos a respeito de todas as pendengas da humanidade, mas que, não são capazes de dar um norte minimamente razoável para as suas porcas vidas.

(iv)

PESSOAS MUITÍSSIMO APEGADAS A IDEOLOGIAS são similares a crianças mimadas que, mesmo depois de grandinhas, insistem em continuar mamando em sua velha mamadeira ou em ficar chupando no bico. Bem, ao menos, boa parte das crianças graúdas que assim procedem tem vergonha disso. Já os grandões, com suas mamadeiras de Lênin e chupetinhas de Stalin, não. Pelo contrário. Tais figuras acham muito bonito ser feio.

(v)

O APEGO SENTIMENTAL A UMA AGENDA ideológica é um indicador duma personalidade frágil e dum caráter fragmentado.

(vi)

NENHUMA IDEOLOGIA VALE MAIS QUE A REALIDADE duma única vida humana. Nenhum delírio dum mundo melhor vale o sangue de um indivíduo. Por isso repugno o marxismo, uma ideologia que ceifou a vida de mais de cento e dez milhões de inocentes. Por essas e outras que desconfio de todas as supostas boas intenções manifestas por aqueles que defendem essa tranqueira. Ponto.

(vii)

TEM MUITA GENTE QUE SE JULGA moralmente superior simplesmente porque diz defender o tal do “mundo melhor possível”. Esquecem-se elas de que Lênin, Stálin, Pol Pot, Hitler, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro e tutti quanti também sonhavam com um suposto “paraíso terreno” e, tal sonho, deu no que deu: um inferno na terra.

Por essas e outras que prefiro mil vezes ser o caipira cético que sou, com relação aos milagreiros ideológicos, que ser um sujeito bonzinho e crítico que, de maneira criticamente crédula, entrega sua consciência para ser deformada pelos curandeiros políticos do momento e acabar terminando como um fiel devoto de qualquer seita ideológica.
 

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.