24/10/2016 16:42:00
A frágil teia do poder absoluto!


Foto: Divulgação


Confesso que algumas coisas acabaram tirando a minha inspiração. Mas são tão corriqueiras, tão presentes, a cada ano que passa, a cada eleição e seja ela qual for, e as atitudes são tão as mesmas que deveria estar acostumada. Mas não estou. São conluios, conchavos, jogadas com “cartas marcadas”, um “puxando o tapete” do outro, aquele que se alia com aquele outro, porque não consegue fazer nada sozinho, apesar da maldade que invade o ser, e que mesmo assim, o “tiro sai pela culatra”, que a única coisa que gera é nojo.

Por que se errou na receita de algumas seres humanos?  Me perdoem os espiritualistas – e até eu sou -  mas não consigo acreditar que seres involuídos se juntem num só meio. E tantos pelo Brasil afora, que a legião do mal só cresce alimentada pelo poder, arraigada às paixões inferiores. Acho que é o fluído amargo, mas ao mesmo tempo, doce, do poder que acaba contaminando. Só pode ser isso. Conheço e conheci tantas pessoas bem intencionadas que acabaram cedendo ao jogo escuso. Mas também conheço aqueles assumidamente corruptos que só pensam em si mesmo e que são capazes das mais baixas concessões para atingir o que querem. E aí me refiro a coação, suborno, ameaça, chantagem e por aí vai. A senha para tudo isso? Poder. É a bandidagem institucionalizada que ganha espaço e mantém no topo.

Se um grita: “eu tenho a força”, o outro responde: “eu sou o rei” e numa linguagem chula quando a conversa não dá em nada, aquele bate na mesa e em tom de ameça brada: "aqui tem café no bule". E se dão as mãos.

Não pensem que sou pessimista, descontente, ou coisa que o valha. Só estou cansada. Muito se trabalha, mas não se recebe. É tão fácil falar, sem pensar nas consequências que uma única palavra pode provocar numa estrutura organizada, que envolve pessoas, seres humanos do bem.

É a constatação dos fatos que comprovam os limites de uma linha tênue entre o poder e a inconsequência destilada por ele, de novo, o poder absoluto. Mas o que aconteceria se esse poder, de uma hora para outra fosse invertido? Aí sim, chegaria a hora do rei, a quem estaria reservada a melhor parte da festa. O rei perderia a sua majestade. A sua cabeça seria ceifada pela lâmina implacável da verdade. E o poder absoluto? Esse, com certeza, cairia para se "repousar" no berço esplêndido, ou melhor, na mente, de outros que estão em formação, mas que já sentem a fome ávida e insaciável do desejo de dominar o semelhante, o qual para ele, é um grande obstáculo. É como se a roda da história não fizesse sentido sem que se conjugue os verbos dominar, impor, aprisionar, escravizar.

Triste realidade e nós, pobres mortais, fazemos parte dela, até que um dia, a serpente acorde e comece a escrever o outro lado da história. 

Sobre o Blog

Cristina Esteche é jornalista, publicitária e fundadora da Rede Sul de Notícias.