26/05/2017 14:13:00

REFLEXÕES
Gorjeando com os pássaros na praça



Uma coisa que todos nós deveríamos fazer - principalmente aquelas alminhas que acreditam ter uma solução mágica e burocrática para todas as pendengas humanas - seria organizar para sua própria vida uma hierarquia de prioridades de curto e longo prazo.

Isso mesmo! Todos nós - uns mais, outros menos - cultivamos o hábito nada salutar de dizer o que deveria ser colocado em primeiro lugar na escala das prioridades da humanidade, dos governos, das religiões, de tudo e de todos, porém, se perguntarmos a nós mesmos quais são as nossas prioridades é bem possível que não saberíamos responder de modo adequado.

Na verdade, na maioria dos casos, o quadro seria um pouco pior. Ao invés de respondermos sinceramente que nunca paramos pra pensar e efetivar uma hierarquia desse tipo em nossa vida; preferimos mentir, descaradamente, para nosso interlocutor, e para nós mesmos, dizendo que temos uma muito bem elaborada.

Sim, verdade seja dita: há aqueles que sinceramente apresentam uma e outra prioridade em sua vida, mas essas são tão rasteiras e imediatistas quando despropositadas que não mereceriam nem mesmo ser consideradas. Em muitos casos chegam mesmo a ser indignas de contarem como prioridades duma vida minimamente civilizada.

Aliás, como confundimos levianamente prioridades de curto prazo com as de longo prazo e, por essa razão, sem querer querendo, acabamos por avaliar o sentido de nossa vida pelo prazer efêmero dum momento.

Aquele tipo de atitude dissimulada, juntamente com essa total inexistência de uma intenção que tenha em vista razões de longo prazo e ambas em misto com a incapacidade de elegermos elementos dignos de serem colocados em primeiro plano na nossa existência, são, bem provavelmente, alguns dos grandes males que nos fazem padecer enquanto sociedade. Uma sociedade que almeja a grandeza sem nunca estabelecer seriamente o que deve ser colocado em primeiro lugar para realizarmos isso, seja em nossa vida, seja em sociedade, seja onde for.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.