26/07/2016 11:13:00
Cangurus, encanadores e a eterna dificuldade brasileira em ouvir críticas
Por Rafael Nardini*



Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, não demorou a aprontar das suas novamente. Pelo Twitter, pouco tempo atrás, ele já falou para um morador do Rio se mudar. Depois, fez graça, falou em cerveja, em relaxar.

Os australianos criticam as instalações da Vila Olímpica, obra que o Rio de Janeiro teve anos para concluir. Para o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, os problemas soam como "naturais". E tudo deve estar concluído em "48 horas".

Faltam 10 dias para os Jogos Olímpicos começarem. Ele também disse que sempre houve problemas nas Vilas Olímpicas e que era melhor não comentar o assunto. Uma espécie de ameaça velada.

 A chefe da delegação olímpica da Austrália, Kitty Chiller, afirmou, neste domingo (24), que os atletas australianos não ficarão hospedados na Vila Olímpicadurante os Jogos Rio 2016.

"Devido a diferentes problemas na vila, de gás, eletricidade e encanamento, decidi que nenhum integrante da equipe australiana será alojado no edifício que nos foi reservado", sentenciou Kitty Chiller.

Bastou, para mais uma vez, Paes sair com "humor". Na entrevista coletiva da cerimônia de abertura da vila também ontem, Paes comentou as reclamações australianas e disse:

"Estou quase botando um canguru na frente do prédio deles, para ficar pulando e eles se sentirem em casa".

É claro que a declaração geraria uma tréplica. Ela veio do diretor de comunicação do comitê olímpico australiano, Mike Tancred:

"Não precisamos de cangurus, precisamos de encanadores para dar conta dos vários lagos que encontramos nos apartamentos".

Depois de anunciar que seus atletas não ficariam na vila até que os problemas fossem arrumados, o comitê da Austrália afirmou ainda que vai transferi-los para hotéis nas proximidades e alojará competidores em uma das Vilas de Mídia, reservadas para a imprensa.

Certos ou errados, "reclamões" ou não, se havia problemas em Londres, Pequim ou Atlanta, não importa. Eduardo Paes, Nuzman, o COB e, talvez, os próprios brasileiros, devem começar a entender críticas. Elas são normais. Os australianos não são inimigos, não estão criando caso. Eles estão fazendo críticas a uma obra cara que, segundo os próprios organizadores, precisam de "ajustes".

É hora de aceitar críticas, interpretá-las, retirar os excessos - quando houver - e seguir adiante. O canguru não vai resolver nada.

*Rafael Nardini escreve para o HuffPost Brasil

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