28/12/2016 13:26:00

CINEMA
'O Vendedor de Sonhos' te espera no Cine XV com uma história incrível
Fenômeno editorial de Augusto Cury ganha adaptação e é um choque de realidade


O filme instiga a reflexão do espectador (Imagem: Divulgação)


Jonas Laskouski com crítica de Lucas Delazari

Guarapuava - Já está em cartaz no Cine XV Guarapuava, a adaptação do mega sucesso editorial O Vendedor de Sonhos, do Augusto Cury. O livro foi editado pela primeira vez em 2008 e, passando por várias reedições e traduções para outras línguas, chegou a vender mais de 7 milhões de cópias. Considerado pela Folha de S. Paulo o autor brasileiro mais lido da década, Augusto finalmente chega aos cinemas e, pelo que tudo indica, não pretende sair tão cedo. Todos precisam ver esse filme. Sério, corre lá. O Vendedor de Sonhos está em única sessão às 21h40.

CRÍTICA

A trama gira em torno de Júlio César (Dan Stulbach), um psicólogo renomado cuja vida se encontra no mais puro caos, a ponto de tentar suicídio se atirando do 21º andar. Nesse cenário, o “Mestre” (César Troncoso), a partir de uma simples conversa, consegue tirar Júlio César daquela situação, e a partir dessa cena prossegue o filme.

A evolução do enredo é muito bem dirigida. Afinal, diga-se de passagem, o filme possui duas linhas temporais paralelas, que se desenvolvem em alternância e de forma impressionantemente harmônica. A direção é brilhante, e a fotografia não só capta imagens lindas, mas também faz o elo entre o conceito do filme e as imagens de um centro urbano denso e estressante, juntamente com o subúrbio (uma dualidade de situações brilhantemente apresentada).

NÃO É AUTOAJUDA

Já que falamos de “conceito do filme”, uma explicação se faz necessária. Confesso que, antes de ir ao cinema, pensei que se tratava de uma obra de autoajuda. Resultado: levei três tapas na minha cara. O filme, apesar de apresentar falas lindas de superação, desenvolve críticas à sociedade de consumo, à ditadura da beleza, além de apresentar o suicídio como problema social sério e o mundo como um manicômio global. Desculpem-me os críticos, mas não dá pra falar que essa temática é de autoajuda.

QUEM É O VERDADEIRO PROTAGONISTA? 

Sobre as personagens, não podemos falar que são muito carismáticas, mas também não dá pra dizer que isso é um defeito. Com efeito, parafraseando o diretor do filme (Jayme Monjardim): “o grande protagonista desse filme é a palavra, a mensagem”. De fato, tudo gira em torno da palavra. Todo o espaço é montado tendo em vista a transmissão dessa ideia, dessa crítica muito bem elaborada. A atuação, tanto dos dois principais como dos coadjuvantes, também é muito boa e flui bem no contexto do filme.

Portanto, não se trata de um filme de entretenimento puro e simples. É uma obra elaborada para instigar a reflexão de quem assiste. Não é autoajuda, então você não precisa estar na bad para ver esse filme. Todos precisam vê-lo, porque é um verdadeiro choque de realidade. Além disso, é uma produção, no geral, bem emocionante, então é provável que seus olhos se encham d’água em um momento ou outro do filme. Portanto, vão lá, reflitam, chorem bastante, recomendem pra todas as pessoas conhecidas e desconhecidas, porque é um assunto que precisa ser tratado com mais profundidade por todos nós enquanto pessoas e enquanto cidadãos.

 

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