30/11/2016 20:50:00

DIA DE LUTA CONTRA A AIDS
66 novos casos de HIV foram registrados em Guarapuava até novembro
Predominância? Ambos os sexos, em relações heterossexuais estáveis


Preconceito e discriminação ainda são as maiores barreiras (Foto: Reprodução)


Jonas Laskouski com assessoria do SAE Guarapuava

Guarapuava - Em Guarapuava, houve 66 novos casos de HIV/Aids até novembro de 2016. A faixa etária em que a doença é mais incidente é a que está entre 25 a 49 anos de idade, em ambos os sexos, com predominância entre as relações heterossexuais e estáveis.

Leia novamente o parágrafo acima, principalmente os últimos dados. Vai lá, eu espero. Percebeu? Não? Tá, eu ajudo: "(...) com predominância entre as relações heterossexuais e estáveis."

Se você ainda não captou a mensagem, de boa. Na verdade, eu quis chamar sua atenção para um dos lados mais negros do HIV, o preconceito, que é mais forte até que a própria doença quando esta começa a se desenvolver. Se é que começa a se desenvolver, já que o que mata são as doenças recorrentes, consequências de um organismo enfraquecido, com baixa imunidade. Isso quando o portador do HIV - soropositivo se você preferir, ou ainda apenas 'positivo' como se fala no meio - não se preocupa em fazer tratamento.

Sim, o tratamento existe e é um dos mais avançados do mundo, aqui no Brasil, e uma vez diagnosticada a presença do vírus em seu sangue, o coquetel - cada vez menos agressivo - pode fazer o infectado ter uma vida longa. Isto não significa que você vai sair por aí transando sem camisinha como se não houvesse amanhã, só porque alguns comprimidos inibem a ação do HIV. A Aids é uma doença que ainda preocupa e quando chega, chega ainda envolta em muito preconceito e discriminação. Foi por isso que chamei a atenção ali em cima. São esses os grande males que acompanham, estigmatizam e machucam os soropositivos. São as maiores barreiras no combate à doença, e os estigmas são provocados principalmente pela falta de conhecimento, mitos e medos.  Por isso, o debate e os esclarecimentos continuam pertinentes.

Em nosso município, nos dois últimos anos houve um aumento da infecção entre jovens de 15 a 25 anos, de ambos os sexos, tanto heterosexuais como homossexuais.

A fim de atingir este público, a campanha do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS do SAE (Serviço de Atendimento Especializado) de Guarapuava será realizada no campus do CEDETEG, neste 1º de dezembro, das 9h às 16hs. Serão realizados testes rápido para HIV, sífilis e hepatites virais, e  orientações sobre transmissão e prevenção das IST’s e AIDS.

Então, não tenha a infeliz ideia de achar que você não faz parte de algum grupo de risco. Não existe grupo de risco. Heterossexuais, homossexuais, transexuais, pessoas solteiras, casadas (sim, casadas! relações estáveis, lembra?, e infidelidade é uma realidade pra muita gente), adolescentes, jovens, adultos, até pessoas de idade, homens, mulheres, enfim. Todos que possuem vida sexual ativa, mesmo que lá de vez em quando, estão sujeitos a serem infectados. Não se exclua dessa lista. Não tem que ter vergonha de fazer o teste, pensando no que a enfermeira vai pensar, ou no achismo que jamais aconteceria com você. Pode acontecer, sim. ninguém está livre. Todos somos vulneráveis. Bom, acho que já deu pra entender bem, né. Se cuidar também é cuidar dos outros, principalmente de quem você ama.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, o número de pessoas infectadas pelo HIV no Brasil é de aproximadamente 530.000. Dessas pessoas, 25,4% não sabem que estão infectadas, e cerca de 30% dos pacientes ainda chegam ao serviço de saúde tardiamente.

Lembrando que no SAE, os testes rápidos são realizados durante todo o ano, de segunda a quinta feira, das 8h às 11h e das 13h as 16h. Endereço? Rua Getúlio Vargas, 1981- Centro. (42)3621-4524.

Ah, e se der positivo? Não é o fim do mundo. É o começo de uma vida nova, se você se permitir. O SAE tem uma equipe extremamente atenciosa e discreta, e te vai dar as melhores orientações. O serviço funciona de maneira impecável e é gratuito, assim como a medicação - se precisar fazer uso.

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS

O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS é celebrado no dia 1º de dezembro por uma decisão da Assembléia da Organização Mundial de Saúde, realizada em outubro de 1987, com apoio da ONU. No Brasil, a data passou a ser adotada, a partir de 1988. 

AIDS NO BRASIL 

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, O Brasil tem 656.701 casos registrados de Aids (condição em que a doença já se manifestou), de acordo com o último Boletim Epidemiológico. Em 2011, foram notificados 38.776 casos da doença e a taxa de incidência foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

Observando-se a epidemia por região em um período de 10 anos, 2001 a 2011, a taxa de incidência caiu no Sudeste de 22,9 para 21,0 casos por 100 mil habitantes. Nas outras regiões, cresceu: 27,1 para 30,9 no Sul; 9,1 para 20,8 no Norte; 14,3 para 17,5 no Centro-Oeste; e 7,5 para 13,9 no Nordeste. Vale lembrar que o maior número de casos acumulados está concentrado na região Sudeste (56%).

Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. Esse aumento proporcional do número de casos de Aids entre mulheres pode ser observado pela razão de sexos (número de casos em homens dividido pelo número de casos em mulheres). Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos de Aids no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2011, último dado disponível, chegou a 1,7 caso em homens para cada 1 em mulheres.

A faixa etária em que a Aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de Aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998. Em relação aos jovens, os dados apontam que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.

Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.

Atento a essa realidade, o governo brasileiro tem desenvolvido e fortalecido diversas ações para que a prevenção se torne um hábito na vida dos jovens. A distribuição de preservativos no país, por exemplo, cresceu mais de 45% entre 2010 para 2011 (de 333 milhões para 493 milhões de unidades). Os jovens são os que mais retiram preservativos no Sistema Único de Saúde (37%) e os que se previnem mais. Modelo matemático, calculado a partir dos dados da PCAP de 2008, mostra que quanto maior o acesso à camisinha no SUS, maior o uso do insumo. A PCAP é a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas relacionada às DST e Aids da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade.

Em relação à taxa de mortalidade, o Boletim também sinaliza queda. Em 2002, era 6,3 por 100 mil habitantes, passando para 5,6 em 2011 – queda de aproximadamente 12%. Na comparação regional, verifica-se que o Sudeste apresenta comportamento similar, enquanto que as regiões Norte, Nordeste e Sul apresentam tendência de aumento. O coeficiente da região Centro-Oeste encontra-se estável.

QUESTÕES DE VULNERABILIDADE

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados (prevalência de 0,17% entre os meninos com ensino fundamental incompleto e 0,10% entre os que têm ensino fundamental completo).

O resultado positivo para o HIV está relacionado, principalmente, ao número de parcerias (quanto mais parceiros, maior a vulnerabilidade), à coinfecção com outras doenças sexualmente transmissíveis e às relações homossexuais. O estudo é representativo da população masculina brasileira nessa faixa etária e revela um retrato das novas infecções.

COMENTÁRIOS







Pela Web