30/12/2016 13:19:00

QUE VENHA 2017
As cores da virada
Escolher uma cor para atrair algo no ano que se inicia é um hábito muito comum no Brasil. Mas será que isso realmente funciona?


Quais as suas cores para a virada? (Imagem: Ilustrativa)


Taís Nichelle

Guarapuava - Todo final de ano é a mesma coisa! Tem a turma que usa branco na esperança de atrair paz, o grupo que veste vermelho para conquistar o amor ou, ainda, aqueles que investem no amarelo para ganhar dinheiro. “A simbologia das cores é uma tradição no réveillon brasileiro, mas cientificamente não existe nada provado”, afirma a psicóloga Susana Raurich. Segundo ela, o que existe, do ponto de vista técnico, são as vibrações das cores, que, em um contexto cultural, exercem uma grande influência.

De alguma forma, as cores influenciam no comportamento. São capazes de destacar, empoderar, padronizar ou, ainda, estimular. “O que se sabe é que há um link entre os estímulos das cores com as emoções, assim como há no som. Essa relação é estabelecida através de algumas variáveis, como o ambiente cultural e a personalidade de cada indivíduo. A percepção em relação a uma cor pode variar para cada um. Por exemplo, há quem sinta alegria ao ver a cor vermelha, já, para outros, pode simbolizar algo triste”, complementa o psicólogo Derick Sulivan Laureano. Além disso, o estímulo é momentâneo, podendo ser um reflexo de como estamos nos sentindo no momento.    

A cultura e a mitologia também estão envolvidas no processo. A simbologia das cores é algo intrínseco no consciente pessoal e coletivo. O vermelho está enraizado no imaginário popular como sendo a cor do natal. Portanto, é provável que essa cor estimule sentimentos e sensações provocadas pelas lembranças dessa época do ano. Outro exemplo é o vestido de noiva. Em algumas culturas ele não é branco, o que faz com que a cor branca assuma diferentes significados e incentive outras percepções, de acordo com a cultura em que está inserida.

De fato, não há nada que comprove os benefícios de usar uma cor específica na virada, mas a psicóloga Susana Rautich diz que isso pode se transformar em um grande problema, caso a tradição vire obrigação. “Penso que essa seja uma invenção capitalista, cujo único propósito é colocar na cabeça das pessoas que elas precisam daquele item e, assim, conseguir vender. Não há nada de errado em vestir uma roupa de uma determinada cor e mentalizar que aquilo vai ajudar a atrair o que deseja, mas o que me preocupa é a pessoa não poder comprar uma peça da cor escolhida e isso gerar tristeza ou frustração. Neste caso, a tradição se torna algo maléfico”, explica.

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