A Ética em extinção

“Não ter ética significa deixar que a inveja, ódio e rancor agirem livremente”.

Norberto R. Keppe

Explico o título do texto afirmando que se a ética fosse um animalzinho, tipo o Mico Leão Dourado, ela estaria em risco de extinção. Infelizmente, ao contrário dos animais passíveis de aniquilamento, não existem muitas (se é que existem) Organizações Não Governamentais (ONG) preocupadas em defender e angariar fundos para uma campanha de revitalização da ética entre nós; na verdade, nem sei como isto poderia ser feito. Parece que a ética vem, de fato, morrendo neste país desde a proclamação da famosa “Lei de Gerson”; quem tem mais de 50 anos entende. Voltarei a falar dela mais adiante.

Ética é uma palavra de deriva do grego ethos, que muito a grosso modo, pode significar modo de ser ou caráter. Muitas vezes é confundida com Moral, que deriva do latim morales que é relativo aos costumes. Na verdade, ética é uma reflexão sobre a moral e é tão importante que se tornou um ramo do estudo da Filosofia que visa encontrar a melhor forma de se viver em sociedade.

Isto não é uma prerrogativa de nós brasileiros. A ética está morrendo no mundo todo, entretanto, nossa casa é o Brasil e, de acordo com um provérbio chinês, “Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa”.  Isto significa que devemos impedir o extermínio da ética no nosso terreno primeiro.

Falar aqui da falta de ética de políticos, grandes empresários e governantes e só mais do mesmo. A corrupção e as atitudes antiéticas chegaram já com as caravelas de Cabral, o “descobridor”, em 1500 e se perpetuam até agora, inclusive com outro Cabral preso no Rio de janeiro, condenado por atos que ferem a ética no seu âmago. Todavia, parece que a ideia de ser antiético ganhou força entre nós, pobres mortais, em 1976 quando uma propaganda de cigarros, encabeçada pelo jogador de futebol Gerson, incentivava que todos nós deveríamos “levar vantagem em tudo, certo?”. Disto surgiu o tal “jeitinho brasileiro” para resolver todos os problemas e virou uma lei, não votada no congresso, que recebeu o nome do jogador. Para quem nunca viu, deixo o link da propaganda ao final do artigo.

E como é que nós matamos os preceitos éticos? Com atitudes, às vezes tão pequenas, que sequer imaginamos que possam colaborar para a decadência moral de nosso país. É quando colamos na prova, quando recebemos um troco a mais e não devolvemos, quando compramos um produto pirata, quando furamos uma fila, quando falamos alto ao celular, quando jogamos o papel de bala ou a guimba do cigarro no chão, quando não damos uma ajuda ao colega de trabalho por medo deste nos tomar o lugar, quando desrespeitamos qualquer direito do próximo, quando trocamos nosso voto por um botijão de gás, quando subornamos um agente público para não sermos multados, quando “mexemos os pauzinhos” para conseguir algo, quando pegamos algo emprestado e não devolvemos e muitas outras cositas más

E passar destas “pequenas” atitudes para esquemas engenhosos de corrupção é só uma questão de tempo e oportunidade, a Odebrecht que o diga.

E o que precisamos para mudar esta situação? Na opinião deste autor, com a EDUCAÇÃO. Conceitos éticos devem ser ensinados e demonstrados pelos educadores já no ensino fundamental, de forma multidisciplinar, juntamente com Matemática, Português e outras matérias indispensáveis para a formação do estudante. Com isto, não só passaríamos o conhecimento necessário, como estaríamos lapidando o caráter deste jovem. Debatendo gênero sem apologia, versando sobre usos e costumes nossos e de outros povos, falando de leis, direitos e deveres; comentando sobre a diversidade de opiniões políticas, mas, de maneira imparcial. Tudo isso porque, segundo palavras do Filósofo Clóvis de Barros Filho, professor deste tema, a ÉTICA promove a possibilidade de uma vida feliz para TODOS.

https://www.youtube.com/watch?v=J6brObB-3Ow

Comentários