A falta de tempo como desculpa!

De quando em quando alguns dos meus poucos, porém fiéis leitores, cobram de mim um texto novo para publicar aqui no Portal RSN. E sempre, de maneira automática, respondo que ando sem tempo para escrever. Isto, sabemos todos nós, é uma falácia. É uma mentira que utilizamos, também todos nós, quando simplesmente deixamos de realizar algo, seja para nós mesmos ou para outrem. Quando não retornamos uma ligação, retribuímos uma visita ou mesmo quando não respondemos aquela mensagem do whattsapp e somos cobrados por isto a desculpa é sempre a mesma: “Poxa, não tive tempo”.

Definimos normalmente o tempo como um “determinado período considerado em relação aos acontecimentos nele ocorridos” e este é um assunto que sempre esteve na mira de muitos filósofos tais como Platão, Agostinho e kant. Eu, no entanto, sempre me identifiquei mais com a visão aristotélica que afirmava que o tempo simplesmente não pode existir já que nenhuma de suas partes existe. O futuro ainda não veio, o passado já foi e o suposto “tempo” presente é muito efêmero e não pode ser medido. Portanto, o tempo para mim é só uma convenção que nós humanos precisamos para que possamos tentar compreender melhor a nossa vida. Mas, o fato é que, existindo ou não, vivemos em função dele e cada um tem sua opinião a respeito. Cazuza dizia que “o tempo não para” enquanto Renato Russo alardeava que tínhamos nosso próprio tempo ou melhor ainda, “temos todo o tempo do mundo”.

Creio que todos já ouvimos a celebre e sábia frase (sabe lá de quem!) que nos diz que “tempo é uma questão de prioridade”, então, quando damos nossas desculpinhas esfarrapadas alegando não ter tempo para isso ou aquilo estamos na verdade dizendo ao nosso interlocutor que responder a mensagem, retribuir a visita, dar o tal do like na foto, ir ao médico, dar uma corridinha, visitar a mãe, levar as crianças para passear, ligar para o pai e Etc. e tal, neste momento, não é prioridade para nós. O grande problema é que agimos tão maquinalmente na maioria das vezes que esquecemos aquilo que realmente interessa na nossa vida.

O que nos falta então é reavaliar nossas prioridades e doar mais nosso “tempo” a QUEM ou ao QUE realmente importa.

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