A hora do olé!

Passada a greve dos caminhoneiros, com os postos de combustíveis já abastecendo, nem que a gasolina esteja mais cara e vá continuar subindo, como já vinha acontecendo, muitas coisas parecem continuar sem merecer a devida atenção do povo brasileiro. Aliás, justamente por falta de conhecimento, de discernimento para entender a situação política nacional, nunca li e ouvi tantos absurdos como nos últimos dias.

E agora? Será que a maioria percebeu que para reduzir R$ 0,46 no litro do diesel e congelar o valor por 60 dias, o que o presidente Temer fez? Se por um lado o Governo reduziu benefícios fiscais a setores da economia, de cortou outro mutilou recursos em programas de saúde, educação, reforma agrária e ciência. E foi além: cancelou iniciativas para mulheres, jovens e indígenas, retirando mais de R$ 200 milhões dessas três áreas.

E não foi apenas isso. A parcela da população que mais precisa do Governo levou mais um soco na boca do estômago. Um dos cortes foi no programa para fortalecer o Sistema Único de Saúde, que perdeu R$ 135 milhões do Fundo Nacional de Saúde. O programa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Fundação Oswaldo Cruz, que perdeu R$ 5, 2 milhões e outro que previa ações para a redução do impacto social do álcool e outras drogas ficou sem R$ 1,6 milhões.

Achou pouco ou está indignado com a atitude do Governo Temer com essa rasteira? Pois se prepare que tem mais coisas aí. R$ 55,1 milhões foram tirados da Educação que também não passou “batida” no olhar do governo. O programa que estimula o fortalecimento de instituições de ensino superior foi também prejudicada com o corte do valor acima citado.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) perdeu R$ 30,7 milhões que seriam para incentivar o desenvolvimento de assentamentos e de governança fundiária. Outra corte atingiu a agricultura familiar. Foram R$ 5,4 milhões.

E ainda tem mais. A Ciência, Tecnologia e Inovação perderam R$ 21,7 milhões, além de R$ 424 mil  retirados da promoção dos Direitos da Juventude, outros R$ 661 mil de políticas para mulheres e R$ 625 mil de proteção e promoção dos Direitos dos Povos Indígenas.

E não pense que parou por aí. O programa de prevenção e repressão ao tráfico de drogas perdeu R$ 4,1 milhões; o policiamento ostensivo de rodovias e estradas federais ficou R$ 1,5 milhões e R$ 1,9 milhões foram subtraídos da Força Nacional de Segurança Pública.

Isso foi apenas o que o Governo “aprontou” na última sexta feira (1). O que não se dá conta também é que o país, segundo o Pnad Contínua divulgada em 17 de maio, possui cerca 28 milhões de trabalhadores subocupados; a corrupção continua à solta; prende-se sem provas, mas liberta-se culpados; assassinato como o de Marielle, entre tantos outros, continuam sem solução; jovens, mulheres, negros e índios padecem diariamente; profissionais que atuam na segurança pública são mal remunerados; presídios são desumanos. A lista não tem fim.

Mas se preocupar com isso por quê? São assuntos que não estão no foco, afinal, agora é hora de pensar na seleção brasileira de futebol. Olé!

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