A mordaça está muito apertada e pode cegar a sociedade inteira.

Em nossa cidade a dominação está integrada. O fato é que a política não existe mais, apenas a administração em nome do segredo particular, vantagens e partilha do poder entre os ungidos. Um poder seletivo que simplesmente selecionou suas próprias prioridades.

Vivemos uma época plena de perigos. Parece que aqueles que pactuaram com o poder pelo poder com o aval do mercado e do sistema financeiro têm poucos adversários e jogam o jogo sem medo algum. Vive-se um momento tão mórbido, tão cinzento que não tenho visto mais disputa política [ nem entre grupo de amigos], mas sim o entreguismo completo de pessoas profundamente politizadas pelo discurso único do mercado e da grande mídia. Falar em política virou um crime.  São pessoas-instrumentos. Há pouquíssimas pessoas independentes com fôlego para se opor a este mecanismo desigual. Mas se serve de consolo, elas ainda existem.

Quando gastamos energia para convencer pessoas sobre outras formas de se pensar a política e a sociedade, nos deparamos com aqueles e aquelas que já foram contaminadas por um vírus tão sutil que não foi sequer percebido e que se infiltrou em seus pontos de vistas e suas razões.

Como as chances de mudar o sistema é quase nula, parece mais sensato em gastar energia em microrrevoluções do sistema, fissurando este poder particular de algum modo.   O tempo seguramente vai evidenciar a armadilha do fim da política da Pólis e do reinado da economia e dos condomínios e quem sabe podemos nos animar um pouco mais em fazer política e voltar a comparecer às urnas.

É por isso que não podemos parar. Não é por hoje apenas [um momento pouco alegre], mas em deixar aberta a janela da possibilidade do retorno de um ambiente humano.

O atual desnível de poder hoje é perigosíssimo. Perceber isto é pouco. Não perceber é no mínimo ingenuidade para não dizer outra coisa.

A tensão e a abertura política de vozes diferentes precisam existir para o bem do próprio mercado saudável e não saudável e do próprio Estado saudável e não saudável.

Esta homofobia política de impor apenas e tão somente o interesse privado é tão feudal que pode,  se descuidado, transformar a sociedade de hoje que aplaude e bajula agentes políticos que tiraram da educação e dos educadores para presentear a festa cultural da elite em uma servidão irreversível. Como um dia escreveu Kafka, lembrem-se que  de um certo ponto adiante não há mais volta.

E se um dia aqueles que ainda resistem decidissem parar, parar completamente?

Muito cuidado Senhores e Senhoras.

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