A mordida de Feliciano

Brasileiro na cadeira do dentista (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Pois é! Enquanto no Brasil, 16 milhões de pessoas vivem sem nenhum dente e 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma única pessoa gasta R$ 157 mil em tratamento dentário. Tudo bem, poderia ter gasto R$ 1 milhão ou o valor que bem entendesse. Porém, desde que o dinheiro fosse seu.

Mas quando o desembolso é dos cofres público, ou seja, pago pelos brasileiros, aí o fato torna-se imoral. Pois foi o que fez o deputado federal Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP). O parlamentar argumentou que precisava corrigir um problema de articulação na mandíbula e reconstruir o sorriso com coroas e implantes na boca.

E sabem qual foi o seu argumento? Ao Jornal Folha de São Paulo, o religioso disse que sofria de dores crônicas por causa de bruxismo. “Não desejo para ninguém”, afirmou. “Sou político e pregador. Minha boca é minha ferramenta.” O deputado é pastor da Catedral do Avivamento, igreja neopentecostal ligada à Assembleia de Deus.

Bem, enquanto isso, a pesquisa do IBGE mostra que 52% dos entrevistados em 2018 disseram que a perda de dentes deixou a aparência do seu rosto pior; 43% afirmaram que a perda de dentes lhes atrapalha namorar ou paquerar; e 21% disseram que a condição lhes impediu de fazer novos amigos. Sobre autoestima e fala, 38% dos entrevistados manifestaram se sentirem mais inseguros para ir a festas e eventos sociais; e 41% relataram mais dificuldade na pronúncia das palavras após a perda de dentes.

Mas esse não é o problema enfrentado por parlamentares. Afinal, entre tantos outros privilégios, todo deputado tem um plano médico ligado à Caixa Econômica Federal. De acordo com a Folha de São Paulo, tanto despesas com serviços médicos quanto odontológicos podem ser reembolsadas.

Porém, desde 2013, a Câmara autoriza automaticamente despesas de até R$ 50 mil. Valores acima disso têm de passar por aprovação da Mesa Diretora, que pode aprovar qualquer quantia. Foi isso que aconteceu com Feliciano, após ter havido rejeição. Ele recorreu e ganhou.

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