A todas as mulheres do Planeta Terra

Posto aqui o texto de uma irmã preciosíssima de um gigantesco círculo de mulheres do qual participamos juntas com milhares de outras por todo o planeta. Desfrutem com profundidade desta beleza!

 

Ao cuidar do meu útero, eu descobri que a lua diz muito mais sobre mim do que qualquer médico ginecologista. Ao cuidar do meu útero, descobri que as minhas relações todas, sem exceção, são espelho fino do meu cuidado e amor para comigo mesma. Ao cuidar do meu útero, descobri que muitas outras mulheres já estão cuidando dos seus úteros. Nós nos apresentamos de diversas maneiras –  mulheres selvagens, bruxas, sacerdotizas, lobas, filhas de gaia, mamães, terapeutas, filhas, vovós, guerreiras, feministas,  curandeiras, benzedeiras, amantes da natureza – todas elas sempre nos lembrando do nosso propósito coletivo: somos todas guardiãs da Grande Mãe, Pachamama.

 

Pois é ela quem nos lembra o caminho de volta para casa.

 

E desde que eu decidi aceitar essa missão de ser guardiã de Pachamama, sem mais me lamentar por isso, eu te digo que o meu mundo ficou cada dia mais lindo.

 

Pois ao invés de novelas, eu prefiro olhar para a lua e relembrar sobre a beleza de ser cíclica. Ser menina, jovem, mãe e anciã. Toda noite a Lua me lembra a beleza do Ser um ponto de luz na escuridão, do morrer pra renascer.

 

Ao invés de olhar pro lado e ficar julgando as mulheres que passam pela minha vida, eu escolho me convidar a ficar em silêncio para entender o porquê eu ainda preciso julgar as minhas irmãs de caminhada para falar sobre a minha dor. Por que eu ainda preciso projetar em outros úteros a dor do meu útero? O que dói tanto que me faz sentir separada de Pachamama?

 

Ao invés de encontrar uma culpada – minha mãe – por tudo aquilo que eu deixo de fazer justificando como o quanto ela “deixou de fazer e me cuidar” quando eu era criança, eu escolho trabalhar a minha maturidade espiritual para que eu reconheça que esse buraco de angústia não vem da minha infância, mas sim da minha desconexão com a Mãe Terra. É só ela pode quem me dar o colo, carinho e atenção que estou esperando por toda a vida.

 

Ao invés de olhar para as mulheres e me sentir ameaçada por elas, eu escolho a vulnerabilidade de reconhecer que eu tenho medo de amar incondicionalmente a todas esses corpos femininos que um dia me disseram ser minhas inimigas porque eu olhava o mundo através dos olhos de um masculino ferido chamado patriarcado.

 

Ao invés de olhar pra mim e me sentir insatisfeita por não ser tão maravilhosa quanto aquela outra, eu escolho aprender a admirar aquelas que caminham comigo sem cair na ilusão de que a beleza dela exclui a minha. Pelo contrário, reconhecendo que todas nós somos muito mais lindas quando reUNIDAS.

 

Olhar para o meu sangue me permitiu descobrir todas as feridas que ainda sagravam dentro de mim.  Olhar para o meu sangue com companhia de outras mulheres me permitiu curar todas as feridas que sangravam dentro de mim.

 

As mulheres que já reconhecem a potência de cura que é o menstruar, sigamos juntas que cada dia que passa somos mais e mais redescobrindo o poder do nosso Útero.

 

As mulheres que ainda tem medo de olhar para si através do próprio sangue, pois o acham nojento/fedido/estranho, saiba que você não está sozinha. Somos muitas nós libertando dessa distorção criada em relação ao nosso Útero e tudo que ele nos dá. Toda noite eu oro por você. Sem nem saber exatamente qual seu nome ou onde você mora, eu peço pra que Pachamama toque seu coração e te relembre que todo esse amor que você procura em relacionamentos (muitas vezes abusivos) com familiares e de afeto, nada mais é que uma busca pelo amor incondicional que está dentro de um portal chamado Útero Sagrado.

 

Seguimos juntas lobas, a Alcatéia está cada dia maior e mais forte.

 

Não deixe que os noticiários te deixem cair na ilusão novamente. Eu venho te dizer que a verdade é que estamos cada dia mais fortes e firmes na militância do Amor.

 

Com amor,

muito amor.

 

Lorenze Paz

Guardiã de Pachamama, o Grande Útero Sagrado que acolhe todos nossos Úteros.

 

✉ lorenzerozza@gmail.com

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