A triste sina do Reino de Santa Cruz

Alerta: este é um conto de fadas e qualquer semelhança com algum país ou pessoa que o(a) leitor(a) conheça será mera coincidência.

 

Em um lugar qualquer neste sofrido planetinha azul existe um Reino por nome Santa Cruz. Possui uma vasta e incomensurável quantidade de terras e riquezas naturais que faria com que este reino fosse o mais poderoso do mundo. Mas, não é assim!

Por causa de uma sucessão de reis ora corruptos, ora incompetentes e de uma Rainha prepotente e energúmena o reino hoje padece de um presente triste e de um futuro nada promissor. Para complicar uma peste surgida de um império distante, o qual não podemos citar o nome aqui por causa do “politicamente correto” que hoje vigora lá, abala não só Santa Cruz, mas, quase todos os outros reinos.

O Rei Twitter à Beça que assumiu com um discurso moralista e conservador e que prometeu aos seus súditos um novo reino sem corrupção, até que tenta cumprir suas promessas, entretanto, normalmente não controla suas palavras nem sua prole e passa muito tempo nas redes sociais batendo boca e arrumando confusão e dispara suas ideias (muitas vezes sem pensar) aos quatro ventos, o que o fez angariar inimigos em todos os setores da sociedade e praticamente não consegue reinar.

O povo do Reino de Santa Cruz é miscigenado, amistoso e alegre por natureza e na sua maioria aficionado pelo esporte bretão que, aliado ao vasto sincretismo religioso de lá, funciona como o “ópio do povo”. Até o momento em que a Rainha que estocava vento foi deposta pela Câmara dos Comuns, o povo, com exceção dos Militantes Encarnados, nunca se envolveu com as políticas do reino. Todavia, com a ascensão do novo Rei, Santa Cruz se tornou o palco de uma guerra ideológica absurda e sem sentido, onde se sua ideia de democracia é diferente da do outro, você nem deveria existir. Os dois grupos empregam técnicas e pensamentos fascistas para combater quem eles supõem fascistas. A maioria do povo entrincheirado dos dois lados da contenda são frutos da educação imposta pelo reinado do Rei Calamar I, onde os professores não podiam reprovar seus alunos e onde a leitura dos clássicos foi praticamente abolida. Portanto, o povo (dos dois lados) muitas vezes está nesta guerra apenas como massa de manobra sem ter conhecimento real de pelo o que está lutando.

Para complicar, os meios jornalísticos do reino, que deveriam ser isentos, utilizam todo seu tempo para falar da peste ou para atacar o novo rei (que lhes cortou muitos subsídios), que se fosse mesmo fascista como dizem, já teria mandado fechá-los como fazia o Rei Chaves, muito amigo do Rei Calamar e também da Rainha Analfa.

Infelizmente esta não é a situação mais grave do reino de Santa Cruz atualmente. Lá existe um conselho de pessoas que são responsáveis por julgar em última instância todos os crimes ocorridos em Santa Cruz. Durante quase toda sua existência este grupo passou desapercebido pela sociedade, aliás como deveria ser. Acontece que ultimamente, principalmente depois que a Rainha Analfa foi para a guilhotina popular, estes nobres do conselho têm vindo cada vez mais a público para externar seus pensamentos particulares. Certa vez, um súdito do reino estava em uma carruagem alada quando encontrou um deles e disse em voz alta que achava que aquele conselho era uma “vergonha”. O pobre súdito já desceu da carruagem preso, dando início ao fim da liberdade de expressão no Reino de Santa Cruz. Bem, lá agora você pode continuar falando mal de todo mundo, até do Rei como sempre aconteceu, desde de que todo mundo não seja do tal conselho. Era de se esperar que um conselho de tal magnitude, que existe para JULGAR, fosse integrado por juízes renomados e experientes oriundos de outras cortes supremas, e que eles possuíssem já certa idade que faria com que os conhecimentos técnicos fossem agregados à experiência que os cabelos brancos nos trazem. Mas, surpresa, não é nada disto! Para sentar em uma das cadeiras do conselho você só precisa duas coisas: uma licenciatura básica na área do Direito e ter prestado algum favor, ou ser amigo do rei ou rainha do momento. Após empossado, este simples advogado passa a julgar casos que já foram julgados por pelo menos dois juízes de verdade e por um tribunal superior. Mas, é assim que funciona no Reino de Santa Cruz e, infelizmente, em muitos outros reinos. O detalhe mórbido é que depois de escolhido este novo “juiz” pode ficar até completar 75 aninhos ou seja, tem gente que vai ficar lá até 2043! E agora os integrantes deste conselho estão, na verdade, controlando os destinos do Reino através de julgamentos e liminares que coíbem a atuação do Rei que não pôde sequer nomear o Xerife do Reino só porque ele é seu amigo, como se o Dom Calvo, membro do conselho que impediu a posse, não tivesse sido nomeado somente por ser amigo do então Rei Temeroso I.

E assim segue a triste sina deste Reino onde o povo em tempos de peste nem sequer pode assistir a seu esporte favorito.

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