Apenas recomendações para uma política individual

Prestes a começar 2019 mantenho meu propósito de continuar escrevendo. Diferente de anos anteriores proponho-me a escrever mais sobre aquilo que é do que aquilo que poderia ser. Anuncio também que pretendo gastar energia sobre uma política diferente, a saber, uma política do indivíduo  para tentar viver neste mundo repleto de mentiras e do escândalo do dia. Não quero gastar tempo com nostalgia ou saudosismos. Este tipo de postura [ apelo à nostalgia ] nos torna mais impotente do que já somos. O que não quero abrir mão é da responsabilidade de escrever e de falar. Sempre soube que da palavra pode-se fazer o melhor, mas também o pior. Reitero que seria muito bom que cada leitor deve decidir por si mesmo o que pensar e o que fazer neste novo ano quando o assunto é ‘política individual’. Ora, a compreensão daquilo que é, de fato, é que as pessoas caminham para odiar cada vez mais o sistema, sobretudo o sistema político. O que restou do sistema político ? Nada.  Nada capaz de produzir qualquer coisa. Então, por um bom tempo, alimentaremos a tese de que o sistema tem que ser aniquilado, mesmo que o que se apresenta é também nocivo. Mesmo assim, compreendo que o que melhor poderemos fazer neste início de ano  é tentar compreender o que aconteceu e o que vai acontecer. Fala-se muito no mal [?] Fala-se muito em resistência. Fala-se muito por aí.  O que tenho visto é que toda e qualquer pessoa, por mais respeitada  que seja ou tenha sido, pode ser vítima de escracho nas redes sociais por qualquer um ou por qualquer coisa que quer ser chamado de ideia. Perdeu-se o controle do controle. Mesmo assim, precisamos compreender tais sintomas. Precisamos ouvir o que se diz e ler o que se escreve para uma compreensão clara do porque  de tais encaminhamentos e orientações. Até 2018, só se lia o que gostava ou aquilo próximo dos  interesses individuais. Esta lógica tem sido letal e para avançarmos para algum lugar diferente ou pensarmos em   novos projetos pede-se uma nova postura.

Atrevo-me a advogar por uma nova subjetivação. Tenho lido e gostado muito da proposição de uma filósofo italiano chamado Giorgio Agamben que, ao seu modo, tenta enfatizar um novo olhar e um novo agir propondo que migremos de técnicas de sujeição  para técnicas de si. Segundo ele, isto nos permitirá  uma operação própria sobre  pensamentos e  condutas. Mesmo que seja temporário, isto pode ser vital pois  tem condições de alterar nossa forma de vida. As redes sociais, tão festejada na última década, tem mais falhado que acertado. Faz tempo  que a filosofia política distinguiu  vida qualificada  de vida banal [ esta  assujeitada aos inúmeros dispositivos de dominação]. Pois bem, ao que parece, as poucas brechas e espaços que ainda podemos encontrar dão conta que a melhor opção para se ter uma vida qualificada é o zêlo e o cuidado de si em um mundo cada vez mais desumano e áspero.

A contribuição de Agamben está na categoria  de uma forma de vida incomum, de uma vida capaz de condutas distintas ou ainda ‘modos-de-vida-outros’. Esta pura potência defendida por Agamben “se constitui como forma-de-vida, em que não estão mais em questão nem a vida nem a obra, mas a felicidade.” Assim, carecemos de  pensar o fato político não mais na forma de uma relação, mas como meio puro ou meio sem fim. Sigamos em frente. Um feliz 2019 a todos nós.

 

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