As atabalhoadas nossas de cada dia

NÃO FAZ MUITO TEMPO QUE LI o livro “Todo homem é minha caça” do impagável Millôr Fernandes. Num de seus capítulos o mesmo apresenta-nos uma declaração de princípios. Aliás, inestimável como tudo o que ele escreveu.

Bem, aí pensei: vou invejá-lo. Que feio. E, como tudo o que é invejado sai uma porcaria, aí está a minha: uma bela porcaria na forma duma declaração de “princípios” sobre as linhas e travessuras que rabisco aqui e acolá. Ou algo parecido com isso.

Lá vai: o que são minhas escrevinhadas? NUNCA foram, e jamais serão, cartas endereçadas a uma pessoa em particular. Não faço isso. Não gosto disso. Ponto.

Não digo que ninguém deva fazê-lo. Longe de mim uma coisa dessas – dizer o que os outros devem ou não fazer. Digo apenas o que e como penso. Só isso e que siga o andor.

Aliás, elas, as escrevinhadas de minha lavra, dum modo geral são apenas reflexões, crônicas e aforismos – ou algum trem que tento fazer parecer com essas coisas – com um tom pautado pelo humor cáustico, politicamente incorreto e provocativo, ponderando sobre os mais variados temas, inspirados nas mais variadas e absurdas situações – políticas, históricas, existenciais, cotidianas e, inclusive, algumas vividas por mim numa infância esquecida ou nalguma passagem de minha vergonhosa mocidade a muito distante –  e, sempre, endereçadas para uma hipotética personagem, objeto de minhas matutadas.

Se a carapuça servir, tudo bem. Mas não tenho nada que ver com isso. Me deixe fora de seus rolos. Obrigado.

Doravante, essa personagem hipotética, sempre nominada de maneira jocosa em qualquer um de meus textos, somos nós, qualquer um de nós, inclusive e principalmente esse que agora escrevinha.

Imagino que todo bom leitor entenda isso sem a menor dificuldade e que, sem pestanejar, dispensa essas observações agora feitas.

Enfim, quem quiser refletir e rir com elas, que o faça. Agradeço a preferência. Quem não quiser, que não o faça, sem crise, porque, dum jeito ou doutro continuarei – por preguiça, não por virtude – na mesma: pensando um pouquinho e dando muitíssimas e boas risadas da desventura humana na terra e de nossas inconsequentes atabalhoadas.

Ponto. Já chega. Está na hora duma pausa para um café.

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