Autismo, Amor Incondicional

*Debora Cristina Grosko

Falar e escrever sobre o autismo é tentar entender e decifrar um enigma vivo onde muitas perguntas ainda seguem sem respostas. Crianças em sua maioria fisicamente perfeitas vivem uma realidade estranha e incompreensível para muitos. As histórias dessas crianças são parecidas, mas elas não são iguais, sua evolução, comportamento e aprendizado são diferentes porque cada uma é um ser único em sua singularidade. Não se pode generalizar, nem todo autista é um gênio ou vive isoladamente, existem diferentes graus e tipos de autismo.

Difícil para uma grande maioria é entender por que essas crianças não conseguem se comportar de acordo com as regras e expectativas estabelecidas pela sociedade e sua adaptação e convívio social é diferente do padrão dito “normal”. Muitas ainda vivem isoladas por um muro de vidro que as separa do convívio com outras pessoas e o maior desafio é quebrar essa muralha que muitas vezes parece instransponível.

A afetividade é algo particular e inerente a cada indivíduo. Umas pessoas demonstram mais afeto e outras menos. Dizer que o autista não consegue demonstrar afetividade é fadá-los ao isolamento onde muitos ainda se encontram, eles demonstram afeto sim, do seu jeito, basta descobrir a maneira como expressam a sua afetividade. São crianças e como todas as crianças precisam de muito carinho, cuidado, atenção, respeito e principalmente de amor.

Não deve ser fácil ser uma pessoa autista. Não se escolhe nascer ou ser assim, simplesmente é. Não existe explicação. Muitas vezes são excluídas do convívio social porque as pessoas não entendem o comportamento diferente. São muitos os sentimentos que envolvem e acompanham essas pessoas e seus familiares, um fardo maior para suas mães que foi tristemente construído historicamente. Ser mãe de uma criança autista é comemorar conquistas simples como um olhar, um abraço ou um sorriso. É travar uma batalha em nome de um amor incondicional e ter esperança num futuro onde todas as dúvidas e incertezas serão reveladas.

Para entendermos melhor o autismo precisamos mudar a forma de olhar o mundo, de observar as pessoas e a perspectiva das coisas. Não julgar, aprender a conhecer e acima de tudo, amar e respeitar, tornar o mundo acessível a essas pessoas para que consigam superar os obstáculos que a vida impôs em suas vidas.

*Debora Cristina Grosko é professora de educação especial e escritora

Comentários