Brasil está entre os países mais violentos para jornalistas

(Foto: Divulgação)

De um lado a morte de 64 profissionais entre 1995 e 2018 colocam o Brasil entre os países mais violentos do mundo contra jornalistas. De outro, um dado que o documento Violência Contra Comunicadores no Brasil: um Retrato da Apuração nos Últimos 20 Anos, elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público e pela Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), não menciona. É a pressão psicológica que vivemos no dia-a-dia e que mata a conta gotas.

No que diz respeito às mortes, segundo a segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Brasil varonil perde apenas de países que vivem em crise institucional, política e humanitária, como Síria, Iraque, Paquistão, México e Somália. O relatório ressalta que a situação configura “verdadeira violação à liberdade de expressão”.

O material também aponta “dificuldades estruturais notórias das Polícias Judiciárias” e diz que “muitos dos autores intelectuais desses crimes não chegam a ser responsabilizados. A autoria por vezes sequer é identificada”. O que o relatório não mostra, porém, é a panela de pressão na qual entramos diariamente e que configura um círculo vicioso, permeada pelo vício de uma cachaça chamada jornalismo.

Assim como quem compõem a redação do Portal RSN e da REDE+, confesso que sou viciada em ser jornalista e teria a mesma profissão se me fosse dada a oportunidade de viver quantas outras vidas fosse possível. É uma profissão fácil? Nem um pouco. Somos pressionados desde a hora em que o dia começa até o momento em que vamos dormir. Não existem feriados, dias santos. Fins de semana? Nem pensar!

Essa pressão psicológica passa também pelo leitor que cobra pautas, nos cobra nomes em matérias policiais. Coisas que a polícia não revela e quando temos acesso são familiares, advogados que nos intimam a retirá-los sob a célebre frase: “vou entrar com ação contra vocês”. E ah! Como sofremos com coisas como essas.

Se escrevemos uma matéria que o personagem gosta, somos amados. Se escrevemos outra que o personagem não gosta, somos odiados, processados e podemos ser até mortos como mostra o relatório. Mas o fato é que essa pressão não nos intimida, porque somos cientes daquilo que estamos fazendo. Porque estamos escrevendo a história de pessoas que formam o município, a região.

Porque estamos disseminando a verdade dos fatos, porque estamos dando voz a quem não tem e isso é encantador. Não existe nada mais gratificante do que você ter o resultado positivo de uma reivindicação feita por pessoas que sofrem num bairro, em ajudar alguém que precisa, em cumprir a responsabilidade social da nossa profissão.

Se a pressão nos mata pouco a pouco pelo estresse que nos causa, as respostas positivas da certeza do dever cumprido a cada reportagem que escrevemos nos revigora, nos ressuscita nos propósitos aos quais nos propusemos. E quanto aos colegas que são mortos no exercício da profissão a nossa gratidão e o nosso reconhecimento. Afinal, ser um sobrevivente num país que se torna cada vez mais selvagem, não é missão pra qualquer um.

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