De tanto procurar, penso que podemos encontrar

Mesmo sabendo que 2018 será insuportável e sufocante no que diz respeito à política partidária com gritaria nas redes sociais sem nenhum debate construtivo, a coisa vai acontecer. Teremos poucas pontes de diálogos e argumentos e muitas imposições.  Uma selvageria. Com programas eleitorais televisivos e radiofônicos esvaziados por conta da total descrença, as redes sociais servirão como único espaço que tem potencialidade para fisgar o eleitor.  Ali será o palanque. Será neste cenário que uma legião de servos voluntários e fanáticos estarão presentes para ‘lacrar’ opiniões contrárias. Novamente teremos que ouvir expressões que não significam mais nada no tempo presente como ‘esquerda e direita’ e ‘ elite e massa’.  Assistiremos defensores do ódio combatendo o ódio e injustos falando de justiça. Um verdadeiro festival.  Teremos de tudo, defensores da diversidade usando o pensamento único e defensores do pensamento único combatendo a diversidade. Monólogo e tédio em nome da democracia. Ao que tudo indica, teremos tudo menos debate.

A indignação e a ojeriza a políticos é tão grande que as pessoas parecem querer a não liderança, algo muito distante da liderança personalista. Candidatos que podem ser aceitos sem constrangimentos serão aqueles que conseguirem expressar um novo sentido, mesmo sabendo que a chance dos mesmos serem eleitos é tão grande que fará destas eleições um luto cívico. Vivemos tempos confusos.  Tenho a impressão que uma possível saída de nossa depressão política seria apostar em alternativas municipais, próximas de nós.  No passado, uma grande liderança personalista já defendia um municipalismo diferente. Nivaldo Kruger, ex-prefeito de Guarapuava e ex-Deputado Federal foi vanguardista nesta área. Naquela época, pontes foram construídas.   Em outras palavras, no início dos anos 80 defendia ‘o direito à cidade’.  Sempre acreditei que o município pode tratar melhor do comum e que pessoas na esfera do município vêem mais e, portanto, cobram mais. Tudo é muito próximo.  Deste modo, concordo plenamente com o jornalista Bernardo Gutiérrez quando afirma que os conceitos clássicos de esquerda e direita, totalmente desconexos nos dias de hoje, precisam ser substituídos por discursos que realmente signifiquem transformação e o nome deste novo significado não é outro senão um novo municipalismo. Esta nova modalidade de organização pode ser a saída de nossos  problemas nacionais. Neste contexto, penso que as pessoas podem voltar a participar da arena política. Tenho a impressão que os mais jovens se identificam mais com este modo de agir, ou seja, a micro-política. Assim, ao que tudo indica pequenos Brasis pode salvar o Brasil. O capital social pode ser mais vivo,  mais engajado e mais expressivo. Virar a mesa é muito mais fácil, assim como trocar a mesa é muito mais rápido. Na esfera municipal há mais realidade e a instantaneidade pode jogar a favor da decência.  Até mesmo a justiça no município parece ser mais justa que a justiça nacional.  Não estou bem certo, mas os rótulos de esquerda e direita poderiam no imaginário popular serem substituídos pelos conceitos de micro-política e macro-política. Neste caso, a micro-política poderia  ser uma nova via ou até mesmo, quem sabe, uma nova esquerda.

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