Deadpool 2 é entretenimento puro

O filme Deadpool 2 chega aos cinemas com a difícil missão de superar ou ao menos igualar o sucesso do primeiro, além de tentar superar Logan, segundo a fala do próprio anti-herói, o que deixa o jogo ainda mais pesado.

Assim como o primeiro filme, o segundo tem como temática central a vingança. Dessa vez há duas vias conflitantes que buscam justiça, de um lado o garoto mutante Russell quer se vingar do orfanato onde sofreu torturas durante anos e, de outro, há o viajante do futuro Cable que quer acabar com a pessoa que vai matar sua família no futuro.

Ryan Reynolds, mais uma vez, entrega um ótimo trabalho. Muito do carisma do personagem se deve ao ator, que entrega um protagonista com várias camadas, com um ótimo senso de humor, mas que também sofre com as suas perdas. Cable é outro grande acerto do ator Josh Brolin, envolvido em dois filmes de super-heróis com menos de um mês de diferença da data de estreia, são personagens distintos e que aparecem de formas diferentes. O braço metálico do mutante ficou muito bom em tela, sendo um dos poucos pontos positivos dos efeitos especiais.

Os novos personagens inseridos no filme são bons e funcionam no roteiro. Há um foco grande na história do Russell, que se autointitula Firefist. Ele entra para humanizar o personagem do protagonista. Outro destaque interessante é a mutante Domino, que tem como superpoder a sorte, ao contrário do que diz o Wade, seus poderes são cinematográficos e apresentados de uma maneira muito legal, tirando os defeitos de CGI que são bem notáveis na cena principal de demonstração dos poderes dela. Com um orçamento ainda modesto, o CGI do filme ainda é ruim em muitos momentos. Há um vilão inteiramente feito em CGI que é sofrível.

Recheado de referências a cultura pop o roteiro brinca com o plot de Batman vs Superman, o tom sombrio dos filmes da DC, o Deadpool que apareceu em The Wolverine, o filme do Lanterna Verde, o fato de Josh Brolin ter interpretado o Thanos e inúmeras outras sacadas que são muito legais dentro do filme e se encaixam bem na narrativa. Esses eastereggs deixam clara a liberdade do longa, que não se prende muito a um universo e que pode seguir seu próprio caminho. As reclamações do protagonista de não ter orçamento para outros X-Men parecem ter surtido efeito em uma das cenas mais rápidas e surpreendentes do filme. Ainda sobre elementos do filme, a trilha sonora mais uma vez funciona muito bem no decorrer do filme, com escolhas inusitadas e surpreendentemente boas.

Sem as amarras de um universo coeso para se prender, Deadpool segue nadando a braçadas num caminho independente e diferente dos outros filmes de super-heróis, é um filme de entretenimento puro, como se acompanhássemos mais um dia na vida do mercenário tagarela. Com os produtores confirmando que as cenas pós créditos são fatos que interferem na história, ficamos sem saber como será o futuro do personagem, mas o único sentimento que se tem ao final do filme é de que queremos ver mais desses personagens desajustados na tela grande. O segundo filme perde no fator novidade e aposta fortemente no seu humor escachado, entregando uma divertida obra cinematográfica.

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