Dulce, um orgulho para o Xarquinho

Nós temos, e eu me incluo neste meio, o estranho costume de gastar mais tempo e esforço para criticar muito aquilo que não gostamos do que para elogiar algo que apreciamos. Isto é facilmente provado acompanhando nas redes sociais, por exemplo, quando alguém posta um texto ou uma matéria. Quando gostamos damos um click de curtir e pronto, entretanto, se lemos algo que não concordamos não temos preguiça alguma em gastar um tempo escrevendo e destilando toda nossa opinião contrária.

Para tentar mudar este tipo de atitude, e quem sabe servir de exemplo, resolvi escrever este texto com o único intuito de elogiar e para enaltecer o Colégio Dulce Maschio, um estabelecimento de ensino dos melhores que já conheci, um orgulho para o Xarquinho e para Guarapuava.

Um grupo de trabalho, do qual faço parte, colocou em prática uma Ação Social que teve como público alvo jovens de 14 a 18 anos, todos alunos do Colégio. Quando decidimos levar a cabo a Ação sequer sabíamos se o colégio, ou mesmo os alunos, receberiam de bom grado a nossa ideia. Partimos então, o Beto e eu, para conhecer a escola com a finalidade de pedir a autorização. De imediato se pode notar a organização, a limpeza e a atmosfera do colégio. Estamos acostumados com estabelecimentos públicos malcuidados e um quanto tanto depredados; todavia ali, apesar de não ser novo, tudo é muito bem cuidado; tem horta, tem roseira e até um pé de café (protegido com uma capa por causa das geadas que se aproximam). A boa primeira impressão aumentou muito quando conhecemos as pessoas que fazem parte do Dulce. A direção da escola, não somente aceitou, como se empenhou para que tudo ocorresse como planejado. A dupla dinâmica formada pela Professora Jaqueline, diretora, e pela Professora Joelma, sua vice-diretora, funciona muito bem. Joelma, formada em Matemática é mais metódica e serena; já a Jaque (como é chamada por todos) formada em Letras é a exaltação da boa vontade. Ambas são apaixonadas pelo que fazem e pelo colégio. Comandam uma equipe de 77 professores e 27 funcionários menos pela voz e mais pelo exemplo. Conhecem os estudantes pelo nome (e olha que são mais de 1.100 jovens).

Visitamos todas as salas de aula do Ensino Médio numa segunda feira à noite e o que vimos foram professores entusiasmados passando conhecimento para uma juventude atenta e comportada, a tal ponto de todos se levantarem a cada sala que entrávamos. Vimos a Jaque sair numa tarde para levar um aluno e um parente a uma consulta médica. Em uma das salas, pela manhã, encontramos o Chef de Cozinha Luis, antigo aluno do Dulce, formado em gastronomia que ministra, voluntariamente, aulas de culinária para alunos do colégio, sempre no contraturno, para não prejudicar o andamento das disciplinas formais.

Os professores gostam tanto do colégio que não é difícil encontrar aqueles com mais de 10 anos de casa ou como a professora Ana Regina que leciona ali há 20 anos; a própria diretora é prata da casa há 19 anos e é uma incentivadora não só do colégio, mas, principalmente do bairro Xarquinho, local que escolheu para morar com sua família.

O empenho de professores e alunos em atividades extracurriculares que favoreçam aos alunos é tanto que a Ação Social ocorreu em um sábado, à tarde, e lá estavam todos os alunos inscritos, a professora de Letras Jussara e a própria Jaque com sua Vice Joelma acompanhando seus pupilos em cada uma das oficinas oferecidas.

Por isso foi um prazer para mim, professor de filosofia que sou, descobrir um colégio desta estatura, que assim como foi para mim, deve ser desconhecido para maioria dos guarapuavanos. Um colégio repleto de gente simples fazendo o seu melhor para cumprir a nobre missão de fornecer educação pública, gratuita e de qualidade. Um local que teria eu, também, orgulho de lecionar.

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