E o Raul virou luar

Raul Pereira (Foto cedida pela esposa)

Sei que é lugar comum falar na loucura da correria que nos envolve no dia a dia, ou falar em corrupção, ditadura civil, eleições, copa do mundo e toda essa parafernália que toma conta dos nossos momentos, que nos engolem, que nos deixam à margem de coisas não menos, ou muito mais, importantes. Essa luta desvairada pela sobrevivência, que acaba nos isolando de pessoas que em alguma fase fizeram parte da nossa vida, nos priva de da convivência de amigos. E só quando se vão para outro plano nos damos conta disso.

Conheci o Raul [martins Pereira] durante a minha adolescência. Ele namorava uma grande amiga, aquela que considero minha irmã. Eu, a Sonia e a Cuca [Cloris] dividimos uma das melhores fases da nossa vida. E é essa conclusão é compartilhada por nós três. Por consequência o Raul passou a fazer parte desses momentos. Ele trabalhava junto com o seu pai numa barbearia na antiga rodoviária, onde hoje é a Estação da Fonte. Se bem me lembro. Cara bonachão que conquistava a todos pela sua sinceridade, pelo seu jeito despojado, sorriso aberto.

Trabalhou também na Cotrasa e na Cotrima.

Ele e a Sonia se casaram e foram morar em Pitanga, onde nasceu o Alexandre. Ficaram lá por 37 anos. Por tudo o que falei acima nosso contato ficou longe, assim como a distância por morarem em outra cidade. Pelo meu contato com a Cuca, sempre sabia da vida deles. Nesse período vi a Sonia poucas vezes; o Raul, nunca mais.

Até que no sábado de aleluia olhando o obituário vi o nome do Raul. Sim, ele havia morrido por causa de um infarto fulminante. Estava se recuperando de um transplante de rim e tinha vindo passar a Páscoa em Guarapuava.

Reencontrei a Sonia e junto com a Cuca a nossa conversa foi pautada pelas lembranças do passado. Aliás, como sempre acontece nesses reencontros. Isso é bom? É excelente, mas seria ainda melhor se o Raul estivesse junto. Mas ele se foi, ficou a recordação, a saudade da família e dos amigos, essas coisas que a gente considera lugar comum. O que consola é que agora o Raul virou luar.

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