Eleição no Senado.Uma verdadeira pataquada!

Permitam-me, caros leitores, encerrar o assunto iniciado em meu último artigo que tratou da eleição para presidente do Senado (link ao final do texto).

No fim, por decisão judicial, o voto foi fechado, ou seja, secreto, contrariando a vontade da esmagadora maioria da população que queria saber como o seu representante votaria. Entretanto, pelo bem da transparência, alguns senadores abriram seu voto e, à medida que votavam declinavam o nome do candidato.

Mas, até o resultado final, foram duas sessões que, conforme escrevi no título, foram UMA VERDADEIRA PATAQUADA. Não encontrei palavra melhor na língua portuguesa que expressasse o que foram esses dois dias de sessão. Tomo, pois, a liberdade aqui de transcrever o que diz o dicionário: Pataquada – Presepada, palhaçada, cena ridícula ou engraçada de certas pessoas, geralmente públicas ou famosas.

Ao vivo e a cores vimos senhores e senhoras que ocupam o mais alto cargo legislativo da nação, bem vestidos, como exige a função, agindo como crianças birrentas que recebem um não ou como se estivessem em meio a uma discussão de bar. Ofensas de lado a lado, senador agarrado à cadeira com medo que o tirassem à força. Senadora agarrada a documentos com medo que fossem destruídos. Discursos sem pé nem cabeça tentando justificar esta ou aquela posição. Senadores, já idosos, quase partindo para as vias de fato. Uma vergonha para nós e para a imagem do país, já tão fragilizada. A primeira sessão terminou com gritaria e mais exaltações. Não bastasse isto, no meio da madrugada, a pedido da turma que apoiava aquele certo candidato, já não tão favorito a esta altura do campeonato, uma decisão liminar do STF anulou, de maneira monocrática, a votação que ocorrera na tumultuada sessão que decidiu que o voto seria aberto. Sábado de manhã, ninguém avisou ao funcionário do Senado que deveria abrir o acesso principal e os que chegaram cedo tiveram que ficar perambulando por ali. A Senadora, que na véspera havia se exaltado de maneira voraz com o então presidente da mesa, surge com um buquê de rosas brancas para o mesmo no intuito de celebrar a paz. Paz foi justamente o que não houve durante todo o dia. Mais altercações, gritos, desaforos. Para agravar a dantesca situação, ao apurarem os votos, notaram que havia um voto a mais dentro da urna. Resumindo, teve que haver uma segunda votação. O ponto alto se deu quando o tal candidato, percebendo que os senadores estavam mostrando seus votos para as câmeras e que fatalmente ele perderia a eleição, tentou se tornar uma vítima e retirou sua tão controversa candidatura, não sem antes fazer um discurso culpando tudo e a todos pela falta de “um processo democrático” (é muita cara de pau). A cereja do bolo desta farândola toda foi o ato falho do presidente da mesa, que esquecendo de desligar seu microfone, disse e alto em bom som que “precisava dar uma mijada”.

Foi uma bagunça com final feliz pois, com a derrota do velho político, novos ares tomarão conta do Senado Federal. Se vai dar certo não sabemos. Ares novos não são, necessariamente, ares renovadores. Procurando saber sobre o novo presidente do Senado descobri que o mesmo possui já dois processos no STF sobre problemas relacionados à sua campanha ao senado em 2014.

Cabe a nós, portanto, insistir na vigília constante sobre os três poderes da União. Vamos ser um pouco como o filósofo grego Diógenes que andava em plena luz do dia com uma lamparina acesa procurando um homem honesto na sua plenitude. No caso, vamos ficar atentos procurando pessoas da vida pública, que nos representam, nos julgam e nos comandam que tenham uma conduta ética irreprochável. (tá difícil!).

ABERTO OU FECHADO. O QUE ESTÁ EM JOGO?

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