#EleNão – O levante feminino contra Bolsonaro

Criado em 30 de agosto desse ano, o grupo virtual “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” reúne mais de 2,5 milhões de mulheres contra o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro. A hashtag #EleNão tomou conta das redes sociais e famosas vieram a público se posicionar contra o candidato, endossando e dando mais visibilidade à causa.

O movimento causou desconforto quando deu sinais de que sairia do âmbito virtual para ir às ruas e o grupo passou a ser alvo de ataques cibernéticos: foi hackeado, nome e foto de capa foram trocados, administradoras e moderadoras tiveram seus perfis invadidos, foram excluídas e receberam ameaças. O filho do presidenciável usou sua conta oficial para acusar o jornal britânico The Guardian de mentir sobre a mobilização e aproveitou para mostrar que desconhece a diferença entre “página” e “grupo” espalhar o boato de que “uma página qualquer do Facebook tinha 1 milhão de seguidores quando foi vendida para a esquerda”. A informação foi oficialmente desmentida pelo porta-voz do Facebook, que atestou a legitimidade da criação da iniciativa e o devolveu às fundadoras. Depois de ficar fora do ar para análise, o grupo foi reativado.

Do lado de dentro do grupo que, por segurança, permanece no modo secreto, mulheres de diferentes posicionamentos políticos são uníssonas em afirmar: #EleNão #EleJamais!

Não é de admirar que os extremistas estejam acuados: o eleitorado feminino corresponde a 52% dos eleitores brasileiros e a taxa de rejeição das mulheres ao candidato em questão é de 49%. Não é de admirar que tentem, em vão, sobrepor-se à nossa voz.

Em resposta, dizemos: Democracia é substantivo feminino!
Não silenciaremos diante da ameaça autoritária encabeçada por esse candidato e seus seguidores. Não vamos abaixar a cabeça diante de declarações misóginas, preconceituosas e que incitam violência.

Não vamos votar em quem não nos respeita, em quem nos trata como cidadãos de segunda classe.
Não seremos deslegitimadas.
Não seremos submissas.

O levante feminino termina quando tivermos um governo proporcionalmente representativo, que traga à superfície as pautas das mulheres.
Quando todas as mães que trabalham puderem contar com creche de qualidade para seus filhos. Quando todas as mulheres puderem andar nas ruas sem sofrer assédio, sem medo de serem estupradas. Quando nossos salários estiverem equiparados aos salários dos homens. Quando meninas de 0 a 13 anos não forem mais as maiores vítimas de estupro. Quando o Estado parar de assassinar os filhos das mulheres periféricas. Quando pararem de nos matar. Quando maridos pararem de agredir e de lançar suas esposas das sacadas.

Uma mulher que se posiciona politicamente incomoda muita gente.
Dois milhões e meio de mulheres que se unem em protesto incomodam, incomodam, incomodam muito mais.

Resistência é nosso verbo preferido.
Não seremos silenciadas.

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