Eles estão zonzos!

Confesso que relutei em perder algumas sagradas horas de sono, mas o dever profissional acaba sempre falando mais alto. Assisti o primeiro debate entre oito de nove presidenciáveis, transmitido na noite dessa quinta feira (9) pela Band. Foram cerca de três intermináveis horas de uma conversa – sim, pra foi isso mesmo – xoxa, que mesmo assim, mostrou um candidato tenso, no caso de Geraldo Alckmin, ligado diretamente a Michel Temer, assim como Henrique Meirelles (MDB) que bateu na tecla da geração de empregos quando foi presidente do Banco Central no governo “lulista”; outro, um tanto quanto bizarro, com suas evocações religiosas e discurso vazio disparado pelo Cabo Caiolo (Patriota) que, em nenhum momento baixou a guarda da postura militar. Virou meme nas redes sociais.

O paranaense Álvaro Dias (Podemos), já na primeira pergunta perdeu a oportunidade de mostrar o que pretende para conter o aumento do desemprego no país que hoje atinge a casa dos 13 milhões. Tentou contar quem ele é, nem isso conseguiu porque o tempo estourou. De verdade, a única coisa que vi foi a tentativa de amarrar alguns votos ao enfatizar que convidou o juiz Sergio Moro para ser o ministro da Justiça num eventual governo seu. Porém, o paranaense chamou a atenção pela elegância do modelito que escolheu para se apresentar no debate.

O tucano Alckmin, que detém o maior tempo no horário determinado pelo TRE levou vantagem por ser o alvo dos demais candidatos em ataques que deixam transparecer  o receio dos oponentes. Embora o tucano ainda não tenha alçado voos a sua candidatura representa uma ameaça por causa de possível crescimento no decorrer da campanha.

Marina Silva, da REDE, pouco ou nada mudou no seu discurso. Repetiu as costumeiras críticas ao PT – partido de origem -, atacou o PSDB; evangélica, jogou pra torcida a questão do aborto, ao falar em plebiscito. Em contrapartida, Boulos (PSTU), disse que pretende tratar o aborto como tema de saúde pública. Segundo ele, a proibição só incentiva os procedimentos clandestinos, colocando em risco a saúde da mãe. Aliás, a melhor definição para o programa da Band foi feita por ele. “Segundo Boulos, Henrique Meirelles, do MDB, não era o único candidato de Michel Temer: “Alia estavam “50 tons de Temer”.

E o que dizer de Jair Bolsonaro? Só confirmou o seu discurso truculento, defendendo a posse de armas, a castração química a estupradores, o seu ódio voraz contra a esquerda e contra a política dos direitos humanos.

A ausência do petista Luiz Inácio da Lula da Silva, que foi citado apenas uma vez durante o debate, foi compensada pela intervenção nas redes sociais. A realização de uma vaquinha on line arrecadou R$ 500 mil para a campanha do candidato do PT, segundo informações de fontes da cúpula nacional.

Bem, se o eleitor já estava desinteressado com as eleições e desprezando políticos, quem está nessa vibe e mesmo assim assistiu o debate, não teve ganho nenhum que contribuísse para mudar de opinião.  Fugiram de debates, não houve confronto, repetiram fórmulas prontas, principalmente, na área econômica. A impressão que deu é que todos, e aí incluo assessores, estão zonzos, sem saber o que fazer, até que seja definida a situação da candidatura petista que, mesmo como candidato preso, continua à frente nas várias pesquisas.

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