Entre a família e redes sociais: assim caminha o Brasil

Bandeira brasileira (Foto: Reprodução/site militar)

Pois é! No auge da crise que se instalou no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro, cedeu à pressão feito pelo PSL e manteve Gustavo Bebianno à frente da Secretaria Geral da Presidência da República. Para a cúpula do PSL, um simples bate-boca com o filho do presidente, o vereador Gustavo, não seria motivo para “dar a conta” a quem, segundo o líder do partido na Câmara Federal, o Delegado Waldir, elegeu, além do presidente, 59 deputados e três governadores.

A crise palaciana começou com a denúncia de que Bebianno teria utilizado candidata “laranja” na eleição de 2018 para recolher dinheiro público do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conformou divulgou a Folha de São Paulo, nesta semana. Numa matéria publicada na quarta (13), Bebianno disse que teria conversado três vezes no dia com Bolsonaro, antes deste receber alta do hospital. Gustavo desmentiu Bebianno no Twitter ao dizer que seu pai não atendeu as ligações do ministro. A troca de farpas continuou e ganhou eco na imprensa nacional, evidenciando a fragilidade de um governo familiar. E o agravante é que o pai endossou as palavras do filho.

“Por que focam as baterias para me atacar se simplesmente disse a verdade? Se respondo sou isso, se me calo sou aquilo”, choramingou Carlos, no Twitter.

O que acontece é que Carlos, durante a campanha eleitoral, estava no epicentro da bem-sucedida estratégia que projetou o pai nas redes sociais. Entretanto, após a eleição vitoriosa, ele foi alijado do centro do poder. É que o presidente foi cercado por políticos profissionais do PSL.

O fato é um só. Embora Bebianno seja apenas um personagem de segundo plano no Governo bolsonarista, o bate-boca com Carlos serviu para mostrar a linha do poder em Brasília. Um governo onde os filhos do presidente querem e mandam mais do que os ministros. Um poder que é exercido pelas redes sociais.

Mas sendo assim, por que Bolsonaro “fortaleceu” Bebianno em detrimento do filho Carlos? Estamos às vésperas de uma reforma previdenciária e o presidente vai precisar de todos os votos numa Câmara que alçou o DEM novamente ao poder. Ter uma fissura como o seu próprio partido, neste momento, seria enfraquecer ainda mais um governo que também precisa aprovar o pacote do ministro da Justiça, Sergio Moro. Temos também a abertura comercial e tantos outros projetos.

E de “sobremesa” vemos a atuação duvidosa do vice-presidente General Mourão que não esconde controvérsias com o seu titular. Declarações populistas, aproximação com a PCdoB e com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre outros fatos, já provocaram indiretas por parte de Carlos ao general. Novamente pelas redes, o vereador, sem citar nomes, disse que a morte de Bolsonaro “não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após sua posse.” Para bom entendedor, meia palavra basta, não é assim que diz o ditado popular?

Bem nessa onda, só nos resta aguardar as cenas do próximo capítulo, torcendo para que essa imensa família chamada Brasil tenha um final feliz.

 

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