Entre tanta virulência, vivemos num mar de incertezas

Porém, pela rede mundial de computadores, são inúmeros os vírus que se propagam. Em especial: o ódio e as 'fake news' para os quais não há antídotos

Coronavírus (Foto: Arquivo/RSN)

Pois bem. A China espirra e, como vivemos num mundo globalizado, agora até Guarapuava fica com resfriado. Digo isso porque, entre dengue, sarampo, febre amarela e outras doenças que ficam na invisibilidade, Guarapuava já tem um suspeito de ter contraído o coronavírus.

Embora a doença, segundo especialistas, não seja tão grave assim, assusta. Tanto é que autoridades de saúde, procuram conter a propagação e entender melhor a doença. Nesta quinta (12) por exemplo, o mundo acordou com a notícias de que o presidente americano Donald Trump suspendeu as viagens entre os EUA e a Europa por 30 dias. Tudo para conter a doença.

Até então, na maioria dos casos, o Covid-19 parecia não passar de uma gripe. Porém, se acometer idosos ou enfermos, poderia levar a quadros respiratórios graves. Mas, há controvérsias. O próprio Ministério da Saúde alerta que o índice de mortalidade do Covid-19 é muito superior ao do influenza, o vírus da gripe comum. Na Itália, há filas em funerárias por causa de mortes causadas pela doença. Entretanto, como se vê, ainda existem muitas perguntas em aberto sobre a epidemia.

Entretanto, a nocividade do vírus vai muito além, uma vez que outro efeito da propagação é o impacto do Covid-19 na economia. Até então, antes dessa virulência, a preocupação voltava-se para a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Aliás, os únicos países que escapavam da fragilidade da economia mundial. Paralelamente, as não menos preocupantes questões geopolíticas e militares, consequências dos conflitos no Oriente Médio, principalmente, na Síria e no Irã.

Assim, com o baque do coronavírus veio a estimativa dos prejuízos mundiais em mais de US$ 1 trilhão. E a frágil economia brasileira está envolta nessa vulnerabilidade de ordem comercial, geopolítica e financeira. Por isso, não precisamos ser especialistas em economia para ter a noção de que tudo o que acontece no território chinês afeta o Brasil. Afinal, esse país é dos nossos principais parceiros comerciais. Quem de nós não possui algum objeto, alguma peça de roupa ou outro produto que tenha vindo da China? Isso só para citar um exemplo dos mais simplórios.

Por isso, a desaceleração internacional, segundo economistas, tem um efeito pesado sobre as exportações brasileiras. E assim sendo, o que pensar das perspectivas de crescimento? Vale lembrar que a economia verde e amarela já se arrastava bem mal antes do coronavírus. A julgar pelos noticiários econômicos com os quais nos deparamos diariamente, a esperança no crescimento econômico tão propalado pela equipe do Presidente Jair Bolsonaro, começou a ruir com o resultado do PIB do ano passado. Ou seja, em 2019 tivemos um crescimento de apenas 1,1%. Um resultado menor que em 2017 e 2018. E na sequência a previsão não é alentadora.

De acordo com o mercado econômico, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2020. Projeta um crescimento de 2,4%, considerada a menor expansão desde 2009. A expectativa anterior era de 2,9%. E cita o coronavírus e as contrações na produção chinesa como causas. Para o Brasil, essa mesma Organização projeta 1,7% de crescimento em 2020, continuando nesse ritmo pífio em 2021.

Nesse cenário de incertezas, a agenda econômica nacional para este ano é recheada de desafios. Temos aí um risco de ruptura institucional,  e as tentativas de manter o ministro Paulo Guedes na Economia. Afinal, é sobre ele e sua equipe que se sustenta o planejamento econômico do país. Aliás, durante esta semana, o ministro a necessidade de reformas estruturais são as armas para conter a crise.

Porém, o ano eleitoral breca as reformas. Temos aí um presidente que se cala perante a reforma tributária e ‘pisa no freio’ quando o tema é a reforma administrativa. Mas ‘pisa fundo’ quando o assunto é a Reforma da Previdência. Entretanto, além fronteiras, a desaceleração generalizada do crescimento econômico mundial acena para dificuldades na exportação. A crise na Argentina é outro agravante. Temos ainda as eleições nos Estados Unidos. Esse é outro fator que deve impactar a economia brasileira. Conforme especialistas, existe o risco elevado se um candidato democrata de esquerda ganhar para disputar com Donald Trump.

Assim, nesse mar de incertezas, as bolsas caem, o dólar sobe e bate na casa dos R$ 5; a Petrobras perdeu R$ 90 bilhões de valor de mercado. Mesmo assim, o Presidente brasileiro diz que não há crise; que não há pandemia, que tudo é “muita fantasia”. E por aí vai. E para contribuir com atual quadro, nessa quarta (11) houve a notícia de que o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, retornou de Miami (EUA) com suspeita de trazer o vírus na bagagem. O Presidente estava com ele. Então é melhor já ir fazendo os exames.

Bem, nessa virulência que nos envolve, só nos resta dizer que somos uma ilha. Estamos cercados de vírus por todos os lados. Parece que vivemos num terreno fértil, prontinho, à espera da desesperança que germina a cada espirro que o mundo dá.

IRONIA

Pois é! A mesma globalização que nos une, agora nos separa fechando fronteiras. Medida preventiva? Sim. Porém, pela rede mundial de computadores, são inúmeros os vírus que se propagam. Em especial: o ódio e as ‘fake news’, para os quais, ainda não há antídotos.

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