Estamos à mercê de um comboio desgovernado

(Imagem: Reprodução/Youtube)

Salve-se quem puder ou será que é cada um por si e Deus por todos? Não sei bem qual ditado define melhor o que estão querendo que aconteça no Brasil varonil. Mas agora quero me ater apenas na questão do trânsito.

Pois é. O presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta semana o novo projeto de lei que pretende alterar as normais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O projeto prevê aumentar o número máximo de pontos na carteira, tira a obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas e também elimina a multa para quem transportar crianças menores de sete anos sem cadeirinha.

“É um projeto que parece que é simples, mas atinge todo o Brasil”, disse o presidente durante a apresentação. E nisso ele acertou em cheio.

Pelas rodovias brasileiras, agora sem novos oito mil radares que seriam implantados, e que foram vetados, em nome do fim da “indústria das multas”, correm livremente, por ora, um número incalculável de veículos, bi-trens, carretas, ônibus, motocicletas. Se a velocidade máxima, quase sempre, nunca foi respeitada, agora, então nem se fala.

Se com o relaxamento das leis de trânsito no país se tornaram ainda mais flexíveis, se o número de acidentes fatais aumentou, se as criancinhas serão vítimas por não estarem em segurança, a quem vai importar tudo isso? Quem vai se incomodar com essa vulnerabilidade correndo solta pelas rodovias brasileiras?

Deve importar, sim, a cada um de nós que se senta à frente de um volante. Deve importar, sim, à responsabilidade de cada motorista, de cada pai e mãe, que são os responsáveis pela segurança dos seus filhos. Deve importar, sim, à consciência de cada um que transita pelas estradas.

Mas o que pensar de motoristas – sei que toda regra tem exceção – que para cuidar da sua própria segurança precisa da obrigatoriedade do uso do cinto e mesmo assim há aqueles que não estão nem aí? E quanto as demais leis de trânsito, infringidas a cada segundo, colocando em risco, mutilando e matando mesmo com punição anunciada? O que será agora com essa “simplificação”?

A culpa é de quem? De uma cultura onde o egoísmo prevalece – e aí entra a questão do cada um por si  e do salve-se quem puder? Da falta de uma educação para o trânsito que deveria começar lá na ponta? Bom, a julgar pelo que podemos vislumbrar daqui pra frente, é melhor andarmos no meio-fio já que estamos à mercê de um comboio desgovernado.

 

 

 

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