Estamos doentes!

O Carnaval acabou e, teoricamente, como já é lugar comum, o Brasil começa a trabalhar. Isto é, se tiver forças. Afinal, temos um país, literalmente, doente. E os sintomas são muitos e diversificados. Enquanto o país do Carnaval brincava pelas ‘sapucaís’ afora, o sarampo, a dengue, a febre amarela e agora o importado coronavírus minava cidades brasileiras. Bem no estilo mineiro: só comendo pelas beiradinhas.

Nessa pegada o vírus voa de avião e se alastra chegando já bem pertinho de nós. Assim, nesta quinta (27) a Secretaria de Estado da Saúde confirmou dois casos suspeitos da doença. Um deles em Ponta Grossa, a 164 quilômetros de Guarapuava. Nessa escalada de contaminações, também foi confirmada uma morte de macaco por febre amarela. Onde? Em Guarapuava. Isso sem computar os casos suspeitos que fazem do nosso município uma ilha cercada de doenças por todos os lados.

E para agravar ainda mais o estado de calamidade pública – e torço para que não chegue a ser terminal – a semana brasileira foi marcada por protestos. Gritos foram materializados em alegorias pelas avenidas do país. Foram soltos em escolas de samba, blocos carnavalescos e foliões avulsos. Nessa pauta desfilaram a intolerância religiosa – que considero o cúmulo ser atacado por não comungar da mesma crença -, a intolerância pela sexualidade, pela ideologia política.

A afronta à diversidade, seja ela qual for, ganhou espaço no samba-enredo, fazendo com que a música, a brasilidade do batuque, a ginga no pé, gritassem alto. Assim, no lugar das palavras de ódio, surgiu a canção, a alegria que ‘mascarou’ a dor. Esses são apenas alguns sintomas de um país doente. Sim, porque outro perigo corrói pessoas dia-a-dia, destrói família, deixa doente. É a epidemia da droga, do tráfico que cresce assustadoramente.

Porém, é preciso entender que se há tráfico, há quem compre, há quem consuma. Só para ser uma ideia, também nesta quinta pós Carnaval, a polícia do Paraná incinerou cerca de 265 quilos de drogas apreendidos somente no carnaval em praias do litoral paranaense. Nos entorpecentes havia maconha, crack, cocaína, haxixe e ecstasy.

E o que é ainda pior. Nosso cenário político como um todo não é nada alentador. Um vírus muito, mas muito pior já ataca a democracia. Temos hoje uma fissura entre o Executivo e o Congresso Nacional, numa ‘queda de braço’ entre os poderes. Porém, unilateral. Nas ruas, nos deparamos com uma ‘guerra civil’ entre um país dividido, sim, por ideologias diferentes. Nessa onda, vamos viver inúmeros protestos, novamente. De um lado, contra o Congresso Nacional, um Poder que encarna a vontade popular; de outro, por mais saúde, emprego, direitos civis.

Como resultado, vemos que a estabilidade social sucumbe. Vemos uma disparada sem controle do dólar. Que efeito isso pode ter na nossa economia? Vemos ainda o alto risco de genocídio de povos indígenas e o desmonte da estrutura estatal no combate ao desmatamento. Por tudo isso, corremos o risco de ver a nossa pátria amada, Brasil, ser denunciada na ONU, segundo a coluna de Jamil Chade, no UOL.

Como disse o colunista, a denúncia não significa uma punição imediata da ONU contra o Brasil, mas explicita a deterioração da credibilidade internacional do país. Como se vê, vivemos num país doente. E como não poderia ser diferente, nós estamos doentes. Nós, enquanto gente, como pessoas, estamos atacando, ferindo, matando. Estamos destilando ódio utilizando como veia as redes sociais. Estamos intolerantes. Estamos rompendo vínculos. Estamos sendo juízes sem causas, sem julgar os méritos, sem considerar os fatos, sem respeitar a história. Atacando pelo simples prazer sádico de atacar, de julgar, de condenar.

Estamos doentes, sim. Vivemos num país contaminado, atacado por vírus de todas as espécies, incluindo a corrupção, por bactérias fatais. Elas consomem, corroem, pela falta antídotos de consciência, de bom senso, de respeito, acima de tudo. Mas enquanto estamos em pé, vamos juntar as forças. Vamos em busca de vacinas para que possamos continuar batalhando. Afinal, a nossa pátria amada, sabe que um filho seu não foge à luta.

PS: Vamos fazer isso, antes que o Brasil, por essas e tantas outras epidemias, entre em estado terminal.

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